Um levantamento feito pelo Deral (Departamento de Economia Rural), em parceria com o Ceasa, aponta que a maioria dos produtos alimentares analisados teve valorização no preço comercializado no Paraná neste ano de 2020 em comparação a 2019.

Imagem ilustrativa da imagem Maioria dos produtos alimentares no Paraná tem preço valorizado em 2020
| Foto: Folha Arte
A saca da soja teve valorização de 50,73%
A saca da soja teve valorização de 50,73% | Foto: Marcos Zanutto/19/11/2019

Dentre os 12 produtos (carnes, grãos, frutas e hortaliças), oito (66,66%) tiveram valorização e quatro sofreram desvalorização no comparativo deste ano com o anterior.

As maiores valorizações foram apontadas nas sacas do milho e da soja, com valorização de 60,53% e 50,73%, respectivamente. A comparação leva em conta a média anual de cotação de cada produto (leia mais no quadro).

Carnes de aves, suínos, bovinos também tiveram valorização, em patamares um pouco inferiores – de 19,39%, 38,5% e 38,6%, respectivamente. O trigo também registrou valorização em 2020, sendo que o preço médio da saca subiu 25,66%. Entre as frutas, banana e mamão registraram valorizações de 28,02% e 9,22%, respectivamente.

Queda

Por outro lado, quatro entre os 12 produtos pesquisados registraram desvalorização no preço comercializado neste ano em comparação a 2019, sendo que as maiores quedas ocorreram na batata (-25%) e no tomate (-24,6%). O preço da cebola desvalorizou em 6,29% e o da laranja praticamente se tornou inalterado, com pequena queda de 1,11% (leia mais no quadro).

O milho da segunda safra apresenta uma estimativa de produção aproximadamente 14% maior do que na safra anterior, chegando a 13,4 milhões de toneladas
O milho da segunda safra apresenta uma estimativa de produção aproximadamente 14% maior do que na safra anterior, chegando a 13,4 milhões de toneladas | Foto: Gustavo Carneiro/12/07/2019

Derli Dossa, engenheiro agrônomo do Deral (Departamento de Economia Rural), explica que a análise dos 12 produtos destacados pode traçar algumas expectativas para 2021.

“Primeiro que os produtores não pararam em 2020, continuaram ofertando alimentos no mercado como 2019 e temos a convicção que o mesmo acontecerá em 2021.”

Outro destaque é que o fato de as pessoas ficarem mais em casa em 2020 provocou escassez de alguns produtos. “Todavia, a tendência é de redução nos preços no próximo ano. Os consumidores vão comprar e pagar o preço que couber nos seus bolsos”, projetou.

Ele explica que todos os 12 produtos pesquisados são considerados inelásticos, ou seja, uma pequena redução na oferta acarreta um forte aumento de preço. “Isso pode ocorrer por razões climáticas ou por variação na renda dos consumidores”, concluiu. (Leia mais na página 24)

Soja, milho e trigo: o que esperar de 2021

As chuvas das últimas semanas contribuíram para a recuperação principalmente para as culturas de soja e milho

No último mês, houve um recuo significativo dos preços do trigo no Paraná. Atualmente, a saca de 60 quilos é comercializada por R$ 68,31
No último mês, houve um recuo significativo dos preços do trigo no Paraná. Atualmente, a saca de 60 quilos é comercializada por R$ 68,31 | Foto: Marcos Zanutto/13/09/2019

O relatório mensal do Deral (Departamento de Economia Rural) prevê que o Paraná deve colher 24,2 milhões de toneladas de grãos na safra de verão, em uma área de 6,1 milhões de hectares. Entre os destaques, estão a soja e o milho, cuja maior parte das lavouras apresenta condições entre médias e boas.

O pequeno percentual de condições ruins se deve à estiagem no início do plantio, que deixou o solo mais seco e dificultou a germinação. Mas, de maneira geral, as chuvas das últimas semanas têm contribuído para a recuperação dessas culturas, segundo o chefe do Deral, Salatiel Turra.

“As chuvas mais homogêneas no Estado estão beneficiando especialmente as regiões com boa concentração de milho e soja, como o Oeste e o Sudoeste.”

O milho da segunda safra apresenta uma estimativa de produção aproximadamente 14% maior do que na safra anterior, chegando a 13,4 milhões de toneladas, em uma área de 2,3 milhões de hectares. “Se as condições climáticas continuarem como estão, a tendência é que essa estimativa se concretize, e poderemos assim ter uma boa produção de milho”, explica Turra.

Com relação à soja, segundo as estimativas do departamento, devem ser produzidas 20,4 milhões de toneladas, volume 2% menor que na safra 2019/2020, mas que é bastante significativo e dentro da média para o Estado.

O plantio de soja já estava concluído e as chuvas das últimas semanas beneficiaram as lavouras. Atualmente, 77% da área têm condições boas, 19% médias e 4% ruins. O relatório deste mês mostra uma pequena redução na produção esperada no mês anterior, de aproximadamente 80 mil toneladas.

“As estimativas podem ter novas atualizações nas próximas semanas, mas as chuvas deste mês deram mais tranquilidade para o produtor”, diz o técnico do Deral Edmar Gervásio.

Porém, embora as perspectivas para o ciclo 20/21 indiquem bons resultados, o recorde da safra 19/20 no Paraná pode não se repetir. Segundo o Deral, o volume estimado é de aproximadamente 20,4 milhões de toneladas – 2% a menos do que na safra passada -, em uma área de 5,6 milhões de hectares, 2% maior.

Em dezembro, a média do preço é de R$ 137,38 a saca de 60 quilos, o que representa bom retorno para o produtor, cobrindo os custos de produção. No mesmo período do ano passado o valor era de R$ 77,00. O índice de comercialização chegou a 42,9%, considerado acima do normal para a época.

Milho

O milho da segunda safra apresenta uma estimativa de produção aproximadamente 14% maior do que na safra anterior, chegando a 13,4 milhões de toneladas
O milho da segunda safra apresenta uma estimativa de produção aproximadamente 14% maior do que na safra anterior, chegando a 13,4 milhões de toneladas | Foto: Gustavo Carneiro/12/07/2019

Assim como a soja, a primeira safra de milho, que está no campo, foi beneficiada pelas chuvas das últimas semanas. Isso mantém os números em patamares de produção sem grandes oscilações neste momento, com volume estimado em 3,4 milhões de toneladas – 2% menor do que na safra passada, em uma área de 359 mil hectares.

“Essa produção está dentro da média, pois a safra anterior havia sido recorde”, analisa o técnico Edmar Gervásio. De acordo com o Deral, as condições gerais das lavouras também estão satisfatórias, com um potencial para manter os índices de produção, especialmente se as previsões de chuva para os próximos dias se confirmarem.

Os preços apresentaram redução no último mês, de R$ 67,58 em novembro para R$ 63,59 em dezembro. A queda se deve se acentuar nas próximas semanas.

“Além da redução da demanda, isso se explica porque o produtor que tem milho estocado neste momento está começando a abrir espaço para armazenar a nova safra de soja no início do ano”, diz Gervásio. Na comparação com a média de preços de dezembro do ano passado, de R$ 36,32, o aumento é de aproximadamente 75%.

Milho segunda safra

A primeira estimativa dessa safra aponta para área de 2,3 milhões de hectares, 2% superior à da safra anterior. A produção está estimada em 13,4 milhões de toneladas.

“Se esse cenário se confirmar, teremos uma safra relevante no Paraná, que deve abastecer o mercado”, diz o técnico do Deral Edmar Gervásio. Se as estimativas de área forem confirmadas, a região Norte do Estado terá a maior área, com mais de 800 mil hectares, cerca de 35% do total, seguida pelo Oeste, com 30%.

Recuo

No último mês, houve um recuo significativo dos preços do trigo no Paraná. Atualmente, a saca de 60 quilos é comercializada por R$ 68,31, abaixo da média registrada em novembro, de R$ 75,37.

Apesar da redução, o preço é considerado satisfatório para os produtores. Se comparado ao preço de dezembro do ano anterior, o incremento é de 45% sobre a média de R$ 47,46. A comercialização segue em patamar recorde, de 82%.

De acordo com Carlos Hugo Godinho, engenheiro agrônomo do Deral, se esse valor for mantido em 2021, isso pode incentivar o plantio de mais trigo no Paraná. “Destaca-se, nesse sentido, a região Sul do Estado, onde não há competição de áreas com a segunda safra de milho, e os produtores conciliaram boas produtividades, bons preços e liquidez em 2020”, diz.

No entanto, acrescenta, a cultura de trigo é de alto risco. De acordo com ele, para um incremento de área se tornar incremento de produção é necessário que o Estado não tenha problemas com geadas e a estiagem, como as que prejudicaram parte da produção em 2020 e nas três safras anteriores.

A safra 2019/2020 resultou em uma produção de 3 milhões de toneladas. “Essa é uma oferta razoável, considerando os problemas que o Paraná enfrentou com a seca neste ano”, analisa Godinho.

Café terá safra recorde em 2020

O Brasil deverá encerrar 2020 com uma safra recorde de café, de acordo com estimativa do quarto levantamento da safra de café 2020 divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Para a safra de café 2020 no Brasil, a expectativa é a produção de 63,08 milhões de sacas beneficiadas de café arábica e conilon
Para a safra de café 2020 no Brasil, a expectativa é a produção de 63,08 milhões de sacas beneficiadas de café arábica e conilon | Foto: Saulo Ohara 09/06/2016

Segundo o levantamento, para a safra de café 2020 no Brasil, a expectativa é a produção de 63,08 milhões de sacas beneficiadas de café arábica e conilon. A Conab informou que essa será “a maior safra da história”, com um aumento de 27,9% na comparação com a colheita de 2019; e de 2,3% sobre o recorde anterior, obtido em 2018 (61,7 milhões de sacas).

“Além da bienalidade positiva do café arábica, o clima também contribuiu para o desenvolvimento das lavouras. A produção do grão superou a de 2018, chegando a 48,77 milhões de sacas. Em relação ao ano passado, o aumento é de 42,2%. Já o conilon, com produção estimada em 14,31 milhões de sacas, não teve o mesmo desempenho. O volume foi 4,7% menor que o obtido na safra anterior, o que pode ser atribuído às poucas chuvas nas regiões produtoras do Espírito Santo, principal produtor da variedade”, informa a Conab.

Segundo a companhia, o estado que terá a maior produção de café é Minas Gerais, com 34,65 milhões de sacas, número 41,1% maior do que o obtido em 2019. O carro chefe foi o café arábica, que responde por mais de 90% do café do estado.

Em segundo lugar está o Espírito Santo, que produziu 13,96 milhões de sacas ao longo do ano. Na comparação com o ano anterior, a safra apresenta uma redução de 12,41%. Foram 9,19 milhões de sacas de conilon e 4,77 milhões de sacas de arábica.

São Paulo está em terceiro lugar, com 6,18 milhões de sacas e aumento de 42,4%. Segundo a Conab, a Bahia totalizará 3,99 milhões de sacas, o que representa um acréscimo de 32,9%, na comparação com a produção obtida em 2019. Rondônia produziu 2,44 milhões de sacas (crescimento de 11,2%).

A Conab informa que, em novembro, as exportações brasileiras de café foram recordes. “O aumento foi de 32% sobre o mesmo mês de 2019, com o embarque de 4,3 milhões de sacas (60 kg), considerando-se a somatória de café verde, solúvel e torrado/moído. De julho a novembro, foram 19,8 milhões de sacas, o que representa aumento de 15% sobre 2019”.

A companhia informou que a competitividade do café brasileiro no mercado mundial melhorou devido à valorização do dólar. Cerca de 74% da produção da safra 2020/21 já se encontrava comercializada em novembro. No mesmo período de 2019, este percentual estava em 71%. (Pedro Peduzzi /Agência Brasil)

mockup