Maiores e mais saborosos
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sexta-feira, 23 de julho de 2004
Mariana Guerin<br>Reportagem Local 
A professora de alemão Helga Ellwein sempre quis investir na agricultura e há quatro anos ela e o marido cultivam abacaxis nos 9 hectares de seu sítio em Cafeara. Eles ainda arrendam outros 5 hectares em Lupionópolis, onde dão continuidade à produção.
A fruticultura se mostrou a melhor opção para o casal, pois as propriedades são pequenas. Já a escolha pelo abacaxi aconteceu em decorrência da rusticidade e resistência oferecidas pela cultura, que requer pouco investimento e apresenta alta rentabilidade.
Depois de participar do programa empreededor rural no primeiro semestre deste ano, Helga descobriu a viabilidade de seu projeto e dentro de dois anos deverá aplicá-lo na propriedade. ''O resultado do programa foi muito satisfatório e me deu segurança para colocar minha idéia em prática'', disse.
O objetivo do projeto Fruticultura-Abacaxi é melhorar a qualidade do fruto utilizando sistemas de irrigação. Além de aumentar o tamanho do abacaxi em 200 gramas, Helga quer também incrementar o sabor da fruta. ''O valor investido será de aproximadamente R$ 20 mil para um sistema de irrigação usado'', lembrou. O projeto será implantado nos próximos dois anos e deverá render lucros dentro de seis anos.
Cultivo Segundo a produtora, a época ideal para o plantio engloba os meses de julho e agosto. A colheita acontece, em média, um ano e meio depois, entre os meses de outubro e maio. ''Como fazemos a colheita por escalonamento, colhemos frutos o ano todo'', ressaltou Helga, que chega a colher até 3 mil frutas/dia.
Helga enfatiza que a melhor área para o cultivo do abacaxi é aquela que já foi pasto, pelo alto valor de nutrientes. ''É importante não utilizar a mesma área depois da colheita da primeira safra para evitar a proliferação de doenças'', alertou. Em sua propriedade, Helga utiliza o sistema de cultura rotativa, intercalando a produção de abacaxis da variedade havaí com a de aveia, que serve de adubo para o solo.
A fruticultura em si gera muita mão-de-obra. No sítio, a produtora conta com dez empregados diaristas e durante a colheita, grupos de cinco pessoas são formados para recolher e empapelar o fruto. ''A confecção dos sacos de papel também gera emprego'', acrescentou Helga.
A produtividade de 33 mil pés/ha expandiu a comercialização do abacaxi para Curitiba e São Paulo, nas Centrais de Abastecimento (Ceasas) e também em supermercados, de forma direta. ''No momento, a demanda pelo nosso produto é tamanha, que estamos conseguindo atender apenas Londrina e região'', declarou.
Planos Depois de implementar o projeto de irrigação, Helga pretende investir em outros mercados, mas sempre utilizando o abacaxi como matéria-prima. ''Temos um projeto para industrializar a cachaça feita do abacaxi'', contou. Neste caso, apenas a coroa é retirada e todo o restante da fruta é aproveitado. ''Existe uma procura internacional muito grande por este tipo de produto'', assinalou.
''Além da cachaça, os consumidores pedem xaropes, licores a polpa. Sem contar que o mercado da fruta in natura ainda é bastante promissor'', declarou a produtora, que também pretende explorar, no futuro, o potencial de outras frutas como côco, banana e uva.


