Maior renda com agroindústria
Programa desburocratiza ações de registro e facilita o acesso à tecnologia e ao crédito
Roberto Fanchin e sua mulher, na propriedadeO produtor ao lado da caldeira, instrumento de força no campo
Elvira Fantin
De Curitiba
Especial para Folha Rural
Há 10 anos o pequeno produtor Roberto Fanchin, de Porto Amazonas, no Sul do Paraná, produz leite e vende o produto in natura, recebendo atualmente R$0,28 por litro. Dentro de dois meses a receita obtida com a produção deverá crescer cerca de 180%. A elevação será possível com a transformação da matéria-prima em doce-de-leite, que será comercializado a $0,80 o litro.
O produto chegará ao mercado com a marca Supramilk. Para viabilizar a produção, Fanchin está instalando dentro de sua propriedade, de 64 hectares, uma fábrica de doce-de-leite, já em fase final de construção. Trata-se de uma das primeiras unidades apoiadas pelo programa Fábrica do Agricultor, do Governo do Estado.
Maior ganhoCoordenado pela Secretaria da Agricultura, o programa incentiva a transformação da produção primária com agregação de valor, permitindo maior ganho ao produtor. Roberto Fanchin conta que há cerca de dois anos já tinha intenção de construir uma unidade de transformação do leite, mas a excessiva burocracia e a dificuldade de acesso ao crédito acabavam inviabilizando o projeto. No ano passado, quando estava quase desistindo, tomei conhecimento, pela imprensa, do programa Fábrica do Agricultor, do Governo do Estado, lembra.
Buscando mais informações na Secretaria da Agricultura, o produtor percebeu que o conteúdo do programa vinha exatamente ao encontro de suas necessidades. O programa defende a transformação da produção com agregação de valor, melhorando a renda do produtor, e era exatamente isto que eu buscava, comenta.
Fanchin então retomou o seu projeto e a partir dali conseguiu alavancar a sua fábrica. Através do programa Fábrica do Agricultor foi beneficiado pelo Kit Agilidade, que garante a tramitação rápida dos papéis necessários para o registro da unidade. Consegui em menos de 30 dias o registro provisório junto ao Serviço de Inspeção do Paraná (SIP), o que permitiu dar início à construção, seguindo todas as exigências da legislação sanitária. Além disso, obtive também a licença ambiental do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), informa Roberto Fanchin.
CréditoO produtor conta que seu ingresso no programa Fábrica do Agricultor foi também decisivo para viabilizar a liberação do crédito para a obra. Consegui um financiamento de R$42 mil junto ao Banco do Brasil, através da linha Proger Rural, que tem carência de dois anos, cinco anos para pagar e juros de TJLP mais 6% ao ano.
Os R$42 mil, Fanchin investiu na construção da unidade, de 144 metros quadrados e na compra de equipamentos como o tacho cozinhador e a caldeira, que produzirá vapor através da queima da lenha. A fábrica de doce-de-leite, que deverá ser inaugurada em 60 dias, aproximadamente, está sendo construída seguindo todos os padrões da legislação sanitária. Dentro da unidade, o leite será examinado antes da transformação, para descartar a possibilidade de qualquer problema de sanidade e garantir a qualidade final do produto.
Para a produção do doce de leite, Fanchin utilizará a produção própria de leite do rebanho de 85 vacas, das quais 30 estão atualmente em lactação. A unidade vai processar diariamente 500 litros de leite, produzindo 250 litros de doce-de-leite. A fábrica terá capacidade para processar diariamente 2 mil litros de leite. Segundo Fanchin, numa segunda fase ele poderá ampliar o plantel de animais ou adquirir o leite de produtores vizinhos para colocar a fábrica funcionando com capacidade total.
Neste momento Fanchin está recebendo orientação da Secretaria da Agricultura, através do programa Fábrica do Agricultor, no desenvolvimento do rótulo do produto e no acesso ao código-de-barra, fundamental para atingir os mercados mais exigentes.
O produtor espera vender toda a sua produção, emitindo a nota do produtor rural, outro benefício oferecido pelo programa. Com a nota, ele terá isenção fiscal no momento da comercialização. Sem a nota do produtor, a venda da produção seria tributada, o que comprometeria parte significativa da minha renda, podendo, inclusive, inviabilizar o projeto, já que a margem de lucro da atividade é muito baixa, observa. Sou tratado como produtor rural na hora de produzir e receber o crédito. Espero também continuar sendo tratado como produtor na hora da comercialização, diz.





