Maior qualidade é a beleza
Os mineiros é quem contam o causo. Nas Minas Gerais do começo do século, os rapazes não eram aceitos na escola sem estar com os sapatos lustrados. Quem, porventura, se esquecesse de passar graxa era salvo pelo pé de hibisco, que era conhecido como graxa-de-estudante. Esfregadas no sapato, as flores garantiam o brilho necessário. Walter Kranz, engenheiro-agrônomo do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), lembrou a história mineira. Segundo ele, as flores têm água e uma certa oleosidade, podendo perfeitamente servir para polir sapatos. Entretanto, a planta tem muito mais vantagens.
Originário da Ásia, o hibisco pode ter chegado no Brasil na época do Império, com a chegada dos protugueses. O nome da espécie mais comum é Hibiscus rosas sinensis, que atinge cerca de dois metros de altura. São dessa espécie os arbustos que existem nas calçadas da cidade. As mudas podem ser plantadas o ano inteiro. Segundo Kranz, a planta aceita poda de topiaria (termo usado para dar formatos especiais ao arbusto).
Ideal para ser usado em arborização de vias públicas, o hibisco não compromete as calçadas, por ter raízes de pouca profundidade. A planta não atinge a rede de fiação elétrica, comentou Kranz. De acordo com o agrônomo, os hibiscos podem ser cultivados como bonsai. Água na medida certa, sol e poda adequada são os únicos requisitos necessários para ter um bonsai florido o ano todo, assegurou.
As pétalas do hibisco, segundo Kranz, são comestíveis. Não há problema algum, é só uma questão de gosto, comentou. No Brasil, não existem estudos que comprovem a eficácia da planta em uso medicinal. A maior qualidade da planta é mesmo a beleza, ressaltou o agrônomo.(M.B.)





