A topografia e a latitude da região de Apucarana, segundo a engenheira agrônoma da Emater, Joana D'Arc Teixeira de Faria, concedem ao local um microclima muito próximo ao das regiões cafeeiras de Minas Gerais. ''Aqui se produz os melhores cafés do Paraná'', garante.
A região é também pioneira na implantação do sistema de plantio adensado, desenvolvido pelo Instituto Agronômico do Paraná (Iapar). A propriedade de Iwao Suguiura, 72 anos, foi palco do primeiro dia de campo de café adensando, em 1994. ''Os grãos do primeiro concurso de qualidade, em 2000, já foram frutos das primeiras culturas adensadas apresentadas naquele evento. Era o ínicio de uma proposta de produção com qualidade'', recorda Joana.
O sítio de 37 alqueires da família Suguiura é o maior produtor de sementes de café do Paraná. Nele são cultivadas 20 variedades, desde os mais tradicionais como o mundo novo e o catuaí, e os recentes lançamentos do Iapar - IPR 103, IPR 100, IPR 99, IPR 98. A propriedade é também uma das poucas no País com cadastro no Registro Nacional de Sementes e Mudas (Renasem), no Ministério da Agricultura.
Há pouco mais de um ano, depois de problemas com a saúde, o produtor repassou a administração da propriedade a um dos filhos, Márcio, 32 anos. A produção anual de sementes, segundo ele, fica em torno de seis toneladas, além da produção de cafés para bebida.
Entrar na propriedade dá a sensação de que os tempos áureos do café permanecem. Todo o sítio cheira a café. A colheita se inicia em maio e vai até o final deste mês, mas as atividades se estendem o ano todo e empregam 10 famílias, além de mão-de-obra temporária nos períodos de pico, como a colheita.
Terreiros, secadores, depósitos, compõem a estrutura de beneficiamento da cultura. Iwao foi também o pioneiro na instalação de terreiros suspensos para a secagem de café. Atualmente, há quatro terreiros com capacidade para cerca de 300 sacas cada.
Os terreiros convencionais são ligados por corredores que levam o café para os secadores. As três fornalhas são alimentadas por troncos de cafés, retirados da lavoura pelo manejo exigido na produção adensada, como o esqueletamento e a renovação de árvores. ''Temos uma programação de manejo estabelecida para cada talhão de café. A renovação dos cafeeiros ocorre a cada 10 anos'', diz Márcio. (C.G.)

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