Plantar na época certa, utilizar um espaçamento reduzido e regular a plantadeira são algumas práticas simples recomendadas pelo pesquisador José Carlos Cruz, da Embrapa Milho e Sorgo, de Sete Lagoas (MG), e que podem fazer a diferença na hora da colheita. Outros insumos que implicam em custos como sementes, adubação, tratamento de semente devem ser utilizados racionalmente pelo produtor.
Com a expectativa de aumento da área de milho nesta safra no Paraná, a Secretaria de Agricultura e Abastecimento/Deral, está estimando o plantio em 1 milhão 774 mil hectares, o pesquisador alerta que o sucesso da lavoura depende 50% do manejo e 50% da semente. ‘‘A redução do espaçamento é um tendência que está crescendo entre os produtores brasileiros. Em nossas áreas experimentais o resultado é muito bom’’, comenta José Carlos.
ManejoHá quinze anos o espaçamento utilizado nas lavouras de milho era de 1 metro, hoje a maioria das lavouras cultivam com distância de 80 centímetros, com alguns já plantando com menos de 80 e no futuro, o pesquisador diz que devem chegar ao espaçamento utilizado pela soja, entre 45 a 50 centímetros.
Segundo José Carlos, o menor espaçamento melhora a produtividade, a formação das plantas é mais rápida, o controle da erosão é facilitado, e não é necessário gastar mais em sementes para aumentar a densidade da lavoura. Para o produtor tomar esta decisão, deve levar em conta os equipamentos que dispõe. ‘‘A colheitadeira, por exemplo, deve ser adaptada a este novo espaçamento’’, explica.
Plantar na época certa para cada região é outra recomendação do pesquisador. O manejo não altera os custos. A época ideal é aquela que fará o pendoamento do milho coincidir com o período de boa disponibilidade hídrica. ‘‘Às vezes um atraso de dois dias no plantio pode resultar numa redução de produtividade de 1 saca/hectare’’, diz José Carlos.
VariedadesA escolha da cultivar deve levar em conta o sistema de produção que o produtor usará. ‘‘De nada adianta usar uma semente de alto potencial produtivo e de maior custo se o manejo e as condições da lavoura não permitirem que a semente expresse o seu potencial genético’’, esclarece o pesquisador.
O mercado oferece hoje, de acordo com o grau de melhoramento genético, variedades melhoradas, híbridos duplos, híbridos triplos e híbridos simples, sendo que os híbridos triplos e simples podem ser dos tipos modificados ou não.
‘‘As sementes das variedades melhoradas são de menor custo e, com os devidos cuidados na multiplicação, podem ser reutilizadas por alguns anos, sem diminuição substancial da produtividade’’, explica José Carlos. Estas sementes são de grande utilidade em regiões onde, devido às condições econômico-sociais e de baixa tecnologia, a utilização de milho híbrido torna-se inviável, completa o pesquisador. O preço de um saco de 20kg de sementes de variedade é em média R$15,00.
Os híbridos só têm alto vigor e produtividade na primeira geração (F1), sendo necessária a aquisição de sementes híbridas todos os anos. De acordo com informações da Embrapa Milho, se os grãos colhidos forem semeados, o que corresponde a uma segunda geração (F2), haverá redução, dependendo do tipo do híbrido, de 15 a 40% na produtividade, perda de vigor e grande variação entre plantas.
‘‘Os híbridos simples são potencialmente mais produtivos que os outros tipos, apresentando maior uniformidade de plantas e espigas. São também os mais caros, custando normalmente acima de R$70,00 o saco de 20kg de sementes. Os híbridos triplos são também bastante uniformes e seu potencial produtivo é intermediário entre os híbridos simples e duplos. O mesmo ocorre com o preço de suas sementes’’, diz José Carlos.
Os híbridos duplos são um pouco mais variáveis em características da planta e espiga que os simples e triplos. O custo da semente dos duplos é mais baixo que o preço da semente dos simples e triplos. Os híbridos duplos dominaram o mercado de sementes de milho até há poucos anos. Hoje, já existe uma predominância dos híbridos triplos.
Um levantamento feito recentemente (safra 1998/99) e divulgado pela Embrapa Milho mostrou que entre 158 cultivares de milho no mercado, 40,58% eram híbridos triplos, 31,16% duplos, 22,46% híbridos simples e 5,8% eram variedades.
Os híbridos apresentam características morfo e fisiológicas distintas, como: arquitetura de planta, qualidade do colmo e raiz, sincronismo de florescimento, tolerância a estresses de seca e temperatura e tolerância às pragas e doenças.
InformaçõesOutras características a serem consideradas na escolha da cultivar são: ciclo, tolerância às doenças, qualidade do colmo e textura do grão. ‘‘O agricultor deve ter em mente que esta variação no ciclo das cultivares não é muito rígida, e a diferença entre as cultivares mais tardias e as mais superprecoces pode não chegar a 10 dias. Além disso, essa classificação não é rigorosa, e uma cultivar superprecoce pode se comportar como precoce e vice-versa’’. explica.
Com relação a tolerância às doenças, levantamento feito pela Embrapa Milho e Sorgo informa que até o momento já detectou-se os seguintes percentuais de redução na produção, causada por doenças foliares: enfezamentos-100%; ferrugem-80%; Phaeosphaeria-63%, mosaico comum-50%; e rayado fino-30%.‘‘Em áreas de plantio direto, os problemas poderão ser agravados, principalmente com helmintospirose e podridões do colmo e espigas’’, comenta José Carlos.
Ainda segundo o pesquisador, hoje o problema com doenças é sério em algumas regiões do País, especialmente onde a cultura permanece no campo durante todo o ano, como em áreas irrigadas ou onde o plantio de safrinha é significante. Nestas situações, é fundamental a escolha de cultivares tolerantes às principais doenças para evitar redução de produtividade. Além da tolerância às doenças da planta, a sanidade dos grãos também deve merecer destaque na escolha da cultivar. Melhor qualidade de grãos poderá significar maior preço no mercado.
A resistência da planta ao acamamento e ao quebramento também devem ser consideradas pelo produtor. Lavouras que serão colhidas mecanicamente deverão ser plantadas com cultivares que apresentam boa qualidade de colmo, evitando desta forma perdas na colheita.
A semente representa uma série de avanços tecnológicos como maior produtividade, melhor qualidade de grãos, maior resistência ao acamamento e ao quebramento, resistência ou tolerância a pragas e doenças, maior eficiência no uso de nutrientes ou a resistência a estresses ambientais que deverão beneficiar o produtor. Com todas estas informações, a escolha da cultivar é uma tarefa complexa.
‘‘O agricultor deverá levar em consideração todas as informações que conseguir junto às empresas produtoras de semente, assistência técnica e pesquisa, de forma a ajustar a semente escolhida ao seu sistema de produção, principalmente levando em consideração que todos os anos novas cultivares são lançadas no mercado’’, finaliza o pesquisador.

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