Maior plantador do país, Ferroni ainda avançava
Contrariando a ''onda erradicadora'' na década de 80, o então maior cafeicultor brasileiro, José Ferroni, tinha quatro milhões de pés e um sonho: atingir os cinco milhões ''Representam uma meta em minha vida Quando todos estiverem produzindo, me aposento e viajo pelo mundo'', revelou em 1988
Não havia registros no Departamento de Assistência à Cafeicultura (do IBC) no Paraná e em Minas Gerais, onde estavam os maiores produtores, de alguém que, individualmente, tivesse tanto café quanto Ferroni
Filho de italianos fazendeiros em Novo Horizonte (SP), ele começou a plantar em 1957, no Norte Velho do Paraná Suas fazendas atingiram cerca de cinco mil hectares e chegaram a empregar 745 famílias, em condições elogiáveis Por sua filosofia capitalista ? ''com o dinheiro o homem se civiliza'' ? seria inadmissível gente passando fome e morando mal em suas fazendas, onde uma parte das famílias estava há muito tempo, sem nenhuma divergência trabalhista Achava melhor dialogar com os empregados, ''reclamem comigo, que tudo fica resolvido sem a necessidade de vocês pagarem 20 por cento ao advogado''
Aos 80 anos, José Ferroni morreu em 2001, sem atingir os cinco milhões de cafeeiros Já na década anterior, em face das circunstâncias desfavoráveis ao negócio, renunciara àquele objetivo, admitindo a diversificação Com a sucessão familiar, a cafeicultura em escala nas propriedades cessou (W S )





