As cooperativas agropecuárias representam 50% da economia agrícola do Paraná, mas elas participam do desenvolvimento econômico paranaense em assoociativismo de crédito, saúde, trabalho, educacional, consumo, eletrificação rural, habitação.
‘‘Em qualquer setor da Economia, o cooperativismo se faz presente, para viabilizar soluções a baixo custo. Soluções que o homem só encontra através da força da união e da cooperação’’, diz João Paulo Koslovski, presidente da Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar), que reúne mais de 218.000 associados.
Imigrantes e anarquistasO cooperativismo nasceu na Inglaterra; veio ao Brasil trazido por imigrantes, instalou-se no Paraná nas comunidades de imigrantes europeus que procuraram organizar suas estruturas de compra e venda em comum, além de suprir suas necessidades de educação e lazer, através de sociedades cooperativistas. Um dos primeiros movimentos marcados pela cooperação surgiu no Estado em 1829, com a chegada do grupo pioneiro de 248 imigrantes alemães que fundaram a Colônia Rio Negro.
Diversos movimentos embasados no espírito da cooperação surgiram até 1911, entre alguns dos mais de cem grupos de imigrantes chegados ao Paraná. Porém, o mais importante movimento pré-cooperativista ocorreu entre os franceses que, em 1847, fundaram a Colônia Thereza Cristina, nas margens do Rio Ivaí, hoje município de Cândido de Abreu. Os imigrantes liderados por Jean Maurice Faivre
desencadearam um movimento cooperativista sob inspiração do médico Benoit Joseph Mure, fundador da Vila da Glória, em Santa Catarina.
Entre as experiências mais importantes realizadas no terreno cooperativo, a Ocepar destaca a da ‘‘Colônia Cecília’’, em 1890, no município de Palmeira, idealizada pelo agrônomo Giovanni Rossi, líder de um grupo de anarquistas italianos. Seguiram-se vários outros movimentos de cooperação: fundação, em 1906, da ‘‘Associação Beneficente 26 de Outubro’’ , por ferroviários de Ponta Grossa. A associação acabou transformando-se em Cooperativa Mista 26 de Outubro.
Em 1909, indústrias madeireiras fundaram a Cooperativa Florestal Paranaense; fundaram também a ‘‘Colônia Muricy’’, com a Constituição, em 1912, da ‘‘Sociedade Agrícola Polonesa’’, em 1945 transformada em ‘‘Cooperativa Mista Agropecuária São José Ltda’’. Sob a liderança do ferroviário ucraniano Valentin Cuts, surgiram outros movimentos cooperativistas, como a ‘‘Sociedade Cooperativa Svitlo (Luz)’’, em Carazinho, localidade de União da Vitória, em janeiro de 1920, e a Cooperativa Agrária de Consumo de Responsabilidade Ltda, ‘‘Liberdade’’, em Vera Guarani, município de Paulo Frontin, surgida no ano de 1930. Essa foi a primeira cooperativa registrada conforme o Decreto-Lei 581/38, tendo o registro sido feito no dia 19 de maio de 1942, recebendo o nº 1. É de se registrar também uma curiosa experiência realizada no lugar chamado Sant’Ana, atual município de Cruz Machado, com a criação em 3 de maio de 1920, da Sociedade Cooperativa de Comércio ‘‘União Lavoura’’ pelo padre Teodoro Drapienski, com cunho político confessional.
Em 1911 chegaram a Carambeí 450 holandeses que fundaram o que seria uma das mais prósperas colônias de imigrantes. Eles constituíram, em 1925, a ‘‘Sociedade Cooperativa Hollandesa de Laticínios Batavo’’, existente até hoje.
Esses movimentos entre imigrantes deram significativo impulso ao cooperativismo estadual, com as experiências bem sucedidas das cooperativas de colonização, como Witmarsum, de Palmeira; Agrária, de Entre Rios; Batavo e Castrolanda, de Castro e Capal, de Arapoti.
CafeicultoresNa década de 60 o IBC incentivou a criação das cooperativas de cafeicultores, para ajudar na superação das dificuldades do setor. Em 1964 o Paraná tinha 33 cooperativas de café. Algumas delas desapareceram por causa do declínio da produção, especialmente após a geada de julho de 1975.
Uma forte tendência que influenciou muitas cooperativas, a partir de 1969, foi o início dos projetos de integração, desenvolvidos pela Acarpa (hoje Emater), DAC e Incra, com o apoio do Banco do Brasil, BRDE, BNCC e CFP. O objetivo dos projetos foi rediscutir a forma de atuação das cooperativas, pois alguns municípios tinham mais de uma cooperativa, operando em concorrência, o que as enfraquecia, enquanto outros municípios não tinham nenhuma.
Os projetos foram executados em três etapas, em regiões diferentes: o Projeto Iguaçu de Cooperativismo (PIC), criado em 1971, contemplou a reorganização do sistema no Oeste e Sudoeste.
O Projeto Norte de Cooperativismo (Norcoop), de 1974, destinava-se a reorganizar as cooperativas da região Norte do Estado, e o Projeto Sul de Cooperativismo (Sulcoop), iniciado em 1976, reorganizou as cooperativas da região Centro-Sul. A Ocepar nasceu no decorrer do primeiro projeto, no ano de 1971, e deu apoio à execução dos projetos.

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