Segundo a Associação Brasileira das Empresas de Limpeza Pública (ABRELP) 70% daquele material ‘‘podem ser transformados em bom adubo’’, através do processo de compostagem. Como o Brasil produz mais de 200 mil toneladas diárias de lixo, no mínimo 140 mil toneladas poderiam ajudar na agricultura, se recebessem tratamento adequado.
O adubo orgânico faz a correção física do solo, o que evita a erosão. Mas, também reduz o uso de adubo industrial, uma vez que facilita o equilíbrio químico da terra. Para Tito Bianchini, presidente da ABRELP, ‘‘esse tipo de técnica deveria ser mais aproveitado num país onde a cultura agrícola é parte importante da economia’’.
Para produzir o composto, é preciso selecionar os resíduos, separando os materiais biologicamente inorgânicos, retirando vidros, plásticos, pneus e outros itens perigosos como pilhas, baterias de celular e lâmpadas fluorescentes, para não comprometer a sua qualidade. A massa orgânica restante passa por um processo de aceleração da fermentação, ganhando um aspecto semelhante ao da terra. Após essa etapa, é preciso aguardar entre 45 e 60 dias para a sua maturação, quando estará pronto para restituir ao solo o grupo NPK (nitrogênio, fósforo e potássio), que melhora a absorção da água e a oxigenação do terreno, auxiliando a produção de uma safra de melhor qualidade.
‘‘A compostagem produz um adubo mais barato que os químicos, além de ser um dos mais eficientes meios de destinação final dos resíduos orgânicos’’, afirma Bianchini. Com o processamento, reduz-se significativamente o volume de lixo a ser depositado nos aterros, principalmente em um momento em que as áreas adequadas para esse fim estão mais escassas.
No entanto, essa prática não é disseminada no Brasil. Potenciais compradores colocam em dúvida as condições de seus componentes, gerando uma desconfiança quanto às condições de atender às exigências do solo. ‘‘A qualidade do produto depende da triagem dos resíduos. Como o processo se desenvolve sempre em usinas, o cuidado com a seleção é mais do que observado’’, lembra o presidente da ABRELP.

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