Madeira: poupança para o futuro
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sexta-feira, 01 de setembro de 2006
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
O plantio de florestas para produção de madeira, tão difundido pelas instituições de pesquisa e órgãos públicos como alternativa de renda para a pequena e média propriedade, já tem sido colocado em prática por alguns produtores paranaenses. E eles estão satisfeitos com a escolha.
O pecuarista Carlos Augusto Sella, de Mauá da Serra, começou a investir na silvicultura no ano passado, depois de sofrer dois anos de experiências ruins na pecuária. Custos altos e preços baixos, aliados à ocorrência da aftosa no Paraná, foram os fatores que agravaram a condução da atividade, na opinião do produtor.
Como forma de agregar valor à propriedade, Sella adequou a fazenda de 125 alqueires, antes destinada à pecurária de corte, à produção de eucalipto. A idéia, explica, é consorciar a bovinocultura com o manejo florestal. Por enquanto apenas 20 alqueires estão plantados com árvores da espécie eucaliptus grandhis. A meta do pecuarista é expandir o cultivo florestal para toda a fazenda. Encaro a produção de madeira como uma poupança para o futuro, diz.
Seguindo os preceitos aprendidos durante um curso sobre manejo florestal, organizado pelo Sindicato Rural de Londrina, Sella criou um cronograma para a implantação da floresta, que deverá render os primeiros lucros 22 meses após o plantio das mudas. Hoje, os 80 mil eucaliptos ainda estão com 2,5 metros de altura.
Segundo o produtor, o custo de implantação e manutenção de uma floresta, até a derrubada de toda a madeira, gira em torno de R$ 2,5 mil/hectare. Dá mais que a soja, acredita. O valor agregado chega a 36% no final do investimento, calcula Sella.
Inspirado, ele deverá ampliar a floresta em cinco alqueires esse ano. O plano, avisa, é aumentar a produção gradativamente, em cinco alqueires cerca de cinco mil árvores anuais, até preencher toda a propriedade.
Os primeiros resultados do cultivo florestal acontecem no sexto ano de implantação, quando ocorre o primeiro desbaste, de metade das árvores plantadas. Seis anos depois é feito um novo desbaste, no qual são derrubados 50% das árvores restantes. Após 18 anos de plantio, as toras já podem ser vendidas para a indústria, explica Sella.
Na fazenda em Mauá da Serra, o pecuarista arranjou as árvores em espaçamentos de três metros entre ruas por dois metros entre plantas. A partir do segundo ano, Sella deverá iniciar o consórcio dos eucaliptos com os bois. Nessa fase os animais já não causam danos à floresta, ensina.


