As propriedades do Norte do Paraná que trabalham com o cultivo de florestas atuam com o sistema integrado lavoura, pecuária e floresta (iLPF) ou de maciço florestal. Na região, os principais mercados são de energia – para agroindústria e secagem de grãos – e também para o polo moveleiro, apesar do desaquecimento recente do setor.
Entre 1999 e 2014, o Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) fomentou junto ao Sindicato das Indústrias de Móveis de Arapongas (Sima) o Programa de Autossustentabilidade de Matéria-Prima para o Polo Moveleiro do Norte do Paraná (Simflor), que plantou mudas e incrementou a produção florestal para ótimos níveis. Hoje, na região Norte, são pelo menos 3,3 mil produtores florestais distribuídos por 8,8 mil hectares graças ao Simflor. As vendas de mudas chegaram a atingir 1,2 milhão unidades por ano.
Para o engenheiro agrônomo Fernando Martin, do Emater, o produtor dessa região deve focar na produção de toras entre 8 a 17 centímetros destinada à energia e toras de até 30 centímetros para atender o mercado moveleiro.
"O mercado do Norte do Paraná é muito ligado à agroindústria e um exemplo é o setor avícola. Para a produção de mil frangos, são necessários de 3 a 4 m³ de madeira. Só Apucarana produz, a cada safra, 2,6 milhões de frangos. Já a demanda do polo moveleiro é de 200 mil toneladas de toras por ano, que precisa ser resistente e macia para atender a indústria."
Só na região de Apucarana são nove serrarias que buscam essas toras, sendo que mais uma será inaugurada em Mauá de Serra, em setembro. "O produtor precisa buscar, juntamente aos escritórios do Emater, todas as informações para desenvolver o manejo adequado. Hoje, as principais espécies plantadas são os eucaliptos grandis e urograndis", relata Martin.
Um dos produtores de Apucarana que viu sua rentabilidade se transformar com a cultura foi Geraldo Verussa. Com os filhos saindo da propriedade para estudar, ele viu nos eucaliptos uma alternativa para diminuir o uso de mão de obra no campo. Seu primeiro plantio foi em 2000, numa área bem acidentada da propriedade, com cerca de quatro hectares. Hoje, com 18 hectares de floresta, o produtor abandonou os grãos e tornou a madeira uma de suas principais fontes de renda. "Quando plantava soja, percebi que estava trocando seis por meia dúzia. A cultura é mais simples e o manejo não é permanente, o que facilita bastante."
Atualmente, boa parte das toras produzidas por Verussa é vendida para a Cocamar Cooperativa Agroindustrial, sendo que ele recebe R$ 100 por toneladas numa madeira que será utilizada para secagem de grãos. Ao longo de cinco anos, ele plantou de forma fracionada, o que resultou na produção de madeiras de diversas idades, que podem atender tanto o mercado de toras de menor diâmetro como também as serrarias. "Minha madeira é direcionada 60% para a serraria e 40% para energia. Foi com produção de florestas que construí uma casa nova e espero que seja um legado para meus filhos no futuro. Apesar de não estarem aqui comigo hoje, eles podem continuar na atividade, mesmo de longe."
Em relação aos gastos com desbaste, o manejo – terceirizado - consome 45% do custo total. "O manejo é como um jogo de xadrez, em que o produtor precisa mexer as peças e criar oportunidades a cada momento, se ajustando à necessidade do mercado", completa o engenheiro agrônomo do Emater. (V.L.)

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