Maçãs dão o tom no norte do PR
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sábado, 17 de dezembro de 2005
Célia Guerra<br> Reportagem Local 
Precocidade, produtividade e rentabilidade aliadas ao sabor são os principais fatores que explicam a expansão da área de maçã no Norte do Estado. Mais que uma nova opção de diversificação, o cultivo da fruta deixa de ser exclusividade das regiões mais frias do Paraná e do Brasil. Os pomares da variedade eva já em produção ocupam hoje cerca de 100 hectares (ha). A colheita está em pleno vapor, apesar do registro de queda na produtividade devido ao inverno atípico registrado este ano.
Nos municípios de Nova América da Colina (32 km ao Sul de Cornélio Procópio) e São Sebastião da Amoreira (47 km ao sul de Cornélio Procópio), segundo o técnico Lucas Batista Neves, só este ano foram implantados mais 40 ha. A maçã eva é fruto de um trabalho de melhoramento genético liderado pelo pesquisador Roberto Hauagge, do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), em Curitiba, especialista na área (veja matéria abaixo).
A grande vantagem da variedade eva é a sua precocidade a colheita ocorre entre novembro e dezembro. Nas regiões mais tradicionais no cultivo de maçã, como Palmas, o pico da colheita ocorre nos meses de fevereiro e março. ''Temos condições de oferecer maçãs frescas ao mercado quando as variedades disponíveis são provenientes de câmaras frias'', comemora Neves.
O produtor João Aparecido Lopes, de Nova América, encerrou na semana passada a colheita dos primeiros frutos de uma área de menos de 1 ha. Segundo ele, foi possível colher cerca de oito quilos por planta. ''Não tive uma superprodução, mas o preço de mercado estava bom e deu para tirar alguns trocados'', conta. O pomar foi introduzido há um ano e meio, substituindo o espaço deixado pelas uvas. ''Não dava mais para trabalhar com uvas, exigia muito veneno'', justifica. As mudas foram trazidas de Santa Catarina e plantadas com recursos próprios.
Lopes não viu dificuldades no manejo da cultura e pelo que já aprendeu diz que o segredo está no tratamento da macieira. ''Investi na adubação e na cobertura do solo'', destaca. No plantio das mudas utilizou o espaçamento padrão de 5 metros entre linhas e 2 metros entre plantas. O espaço entre linhas foi ocupado pelo milho. ''A maçã é muito sensível ao vento, assim, o milho segurou a ventania e ajudou na fixação das flores'', diz.
A qualidade dos frutos depende também de um bom raleio. ''Tiramos mais da metade das maças que vingaram'', explica o produtor. Para o próximo ano, Lopes se prepara para estimular o surgimento de mais galhos nas árvores. Mesmo na condição de aprendiz ele não enconde a satisfação, e anuncia, para o ano que vem, investimento no plantio de novas árvores.


