Lutando contra o desabastecimento
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sexta-feira, 15 de agosto de 2014
Victor Lopes<br>Reportagem Local 
Seis em cada dez produtores paranaenses de floresta são de pequeno ou médio porte. Distribuídos principalmente pelas regiões dos Campos Gerais, Vale do Ribeira, União da Vitória, Guarapuava, eles enfrentam atualmente um problema no manejo das árvores plantadas que pode causar transtornos para o setor na próxima década.
Sem recursos financeiros, esses produtores não estão realizando o desbaste das suas áreas. A técnica consiste na retirada das piores plantas (doentes, menor diâmetro da tora, tortas, etc), liberando espaço para que as demais cresçam com eficiência, evitando, por exemplo, a competição de nutrientes ou luz. Assim, o agricultor consegue ter uma rentabilidade maior da sua produção, comercializando as toras de maior diâmetro com o setor de serrarias e laminação. Acontece que, sem capital, o produtor mantêm muitas árvores em sua área, elas não crescem como desejado e acabam sendo vendidas para as indústrias de energia (lenha) e papel e celulose, com menor valor agregado, já que a oferta é excessiva. Por outro lado, no futuro pode faltar produto para as indústrias que trabalham com toras.
De acordo com dados do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de de Estado da Agricultura e Abastecimento (Seab), as florestas no Estado geram em média 30 milhões de metros cúbicos (m³) de madeira por ano. A área plantada soma pouco mais de 1,5 milhão hectares (ha) de florestas, sendo 900 mil de pinus e 600 mil de eucaliptos. A região dos Campos Gerais concentra 42% da produção, voltada para as indústrias de papel e celulose, além de serraria.
Pensando no futuro, representantes da Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal (Apre) se reuniram com o Secretário da Agricultura do Estado, Norberto Ortigara, para solicitar a inclusão do financiamento de custeio das operações de colheita florestal, na modalidade de primeiro desbaste, para pequenos e médios produtores nos programas de financiamentos do Plano Safra 2015.
Tal medida - já encaminhada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) - incentiva a execução do desbaste e propicia a produção de toras para abastecer os setores de serrarias e laminação em médio e longo prazos. "Quando o produtor realiza o desbaste, ele pensa no futuro, mas na hora acaba sendo uma despesa significativa. Se tudo continuar da forma como está, sem a produção de toras em larga escala, pode ocorrer um desabastecimento de madeira sólida entre oito e dez anos", projeta o diretor executivo da informações da Apre, Carlos Mendes.
O representante da entidade relata ainda que as grandes empresas do setor estão focadas na produção de madeira com ciclos mais curtos e com elevado número de plantas por hectare. "É claro que existe uma tentação dos produtores aderirem a esse sistema e, a partir de cinco anos, já obterem retorno. O problema é que este mercado está com oferta maior que a demanda e os preços muito baixos. O resultado econômico é muito melhor no mercado de toras, os produtores devem aproveitar esse nicho que as grandes empresas estão deixando em segundo plano."
Segundo informações da entidade, se o financiamento do desbaste sair, o prazo para o pagamento ideal seria entre quatro ou cinco anos. O valor requisitado pela Apre é de R$ 25 mil para cada produtor. "Hoje, o custo do desbaste para o agricultor florestal gira entre R$ 45 e R$ 55 por tonelada, com corte e entrega. Muitas vezes, o preço dessa madeira retirada não cobre o custo, já que a oferta está elevada", completa Mendes.



