Luta contra invasora silenciosa
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sexta-feira, 17 de junho de 2005
Jacira Werle<br>Reportagem Local 
Tuneiras do Oeste Aproveitando que o terreno não está recebendo os cuidados apropriados, elas chegam e tomam conta. As formigas saúvas, também conhecidas como cortadeiras, usam todas as técnicas de uma colônia extremante organizada para cultivarem o próprio alimento (o fungo Pholota gongylophora), dentro do formigueiro. Para manter o fungo alimentado elas precisam cortar as plantas. Um ninho adulto de saúvas tem cerca de 5 milhões de formigas que cortam, aproximadamente, dois quilos e meio de pastagem por dia, o que equivale ao consumo de um boi adulto.
Segundo dados da Emater, o Paraná possui 9.600 propriedades infestadas com saúvas. A região que mais sofre com o problema é Umuarama, com quase a metade dos casos, cerca de 4 mil propriedades infestadas. Para alertar os produtores para o combate da saúva a Emater e a Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab) organizaram um dia de campo sobre formigas cortadeiras na cidade de Tuneiras do Oeste (49 quilômetros a sudeste de Umuarama) que ocorreu no início deste mês.
De acordo com o engenheiro agrônomo da Emater Regional de Londrina, Lauro Morales, a eficiência no controle das saúvas depende de ações integradas entre os agricultores. Para garantir que o problema não se dissemine pela própria propriedade e para os terrenos dos vizinhos, o controle deve ser feito antes da revoada nupcial. ''É durante a revoada nupcial que as formigas fêmeas são fecundadas e, onde elas caem, formam um novo sauveiro'', esclarece. No estado do Paraná as revoadas acontecem entre os meses de outubro e dezembro (leia quadro).
A coordenadora do escritório da Emater de Umuarama, Márcia Laino, avalia que o desequilíbrio ambiental e a falta de atenção com os campos e pastagens propiciaram o crescimento do número de formigas na região nos últimos cinco anos. A espécie mais comum na região de Umuarama é a Atta capiguara, conhecida como saúva dos pastos. ''As formigas não têm mais inimigos naturais (pássaros e tatu), o que facilita a proliferação. Por outro lado, o agricultor deixou que as formigas tomassem conta das propriedades'', lastima.
De acordo com o técnico da Emater de Tuneiras do Oeste, Célio Tardim, as formigas preferem se instalar em terrenos mal cuidados. ''A saúva gosta de terrenos degrados porque a grama terá problemas nutritivos e vai ser mais fácil de ser cortada'', esclarece. Como os formigueiros jovens podem ser extintos com a movimentação da terra com arado, a manutenção da lavoura é fundamental no combate às saúvas, reforça.
Apesar de contribuírem com a aeração do solo pela construção de canais e panelas, por este mesmo motivo as ''casas'' das formigas podem provocar o desmoranamento do terrenos. ''O que vemos sobre a terra é só um sinal do sauveiro. A grande parte dele está debaixo do solo'', lembra Tardim.
Organizadas, as saúvas possuem uma função específica dentro da colônia. Elas trabalham no horário mais fresco do dia. Na hora de saírem para cortar e transportar os pedaços de plantas deixam um rastro de hormônio, o que faz com que elas andem sempre pelo mesmo caminho e acabem formando verdadeiras ''avenidas'' de acesso aos ninhos.


