Atualmente, a eterna gangorra dos preços agropecuários está pendendo para os grãos e, especialmente, para a soja e o algodão. Com preços recordes, a rentabilidade de ambas as culturas tornou-se muito superior a da pecuária, como já havia sido antecipado pelo Anuário da Pecuária Brasileira (Anualpec 2004) e pelo Anuário da Agricultura Brasileira (Agrianual 2004).
As perspectivas de médio e longo prazos para as culturas de milho, soja, algodão e cana-de-açúcar continuam a ser bastante promissoras, mas não com os preços recordes atuais. Tudo indica que já em 2005 os preços da soja e do algodão começarão a ceder e deverão estabilizar-se em patamares ainda superiores às suas médias históricas, porém bem menos rentáveis do que os de hoje.
A provável queda da rentabilidade agrícola também se deverá ao forte aumento dos custos de produção, ocorrido em 2003 e 2004, por conta dos aumentos de custos de máquinas, insumos, fretes interno e marítimo, entre outros.
Por outro lado, nos últimos anos, a pecuária de corte enfrentou situação inversa. Para desocupar áreas de pastagens para a agricultura - foram 5 milhões de hectares - o setor se viu obrigado a enfrentar uma superoferta de matrizes para o abate. Esta coincidiu com o ciclo de baixa da atividade, quando o abate de matrizes cresce naturalmente.
Graças ao vertiginoso crescimento das exportações, da ordem de 200 mil toneladas anuais, os preços pecuários conseguiram alguma sustentação e a rentabilidade do setor pôde ser mantida, inclusive com alguma recuperação.
A sustentação dos preços pecuários por meio das exportações não foi maior porque seu peso no total o consumo ainda era relativamente pequeno. Dessa forma, o grosso da oferta acabou tendo de ser absorvido pelo mercado interno, que estava desaquecido.
Outra consequência dessa revolução agrícola foi a valorização das terras, especialmente as de pastagens com vocação agrícola.
Soja O contínuo crescimento da produção de soja deverá promover um melhor equilíbrio entre oferta e demanda, com a consequente queda de seus preços, o que deverá derrubar a rentabilidade da cultura.
A lucratividade da soja aumenta com o tamanho da área plantada e esse lucro cresce significativamente com o aumento dos preços de venda da oleaginosa. Assim, em 2004, quando os preços atingiram patamares recordes, próximos de US$ 15/saca no Mato Grosso do Sul, pôde-se observar que a rentabilidade da cultura subiu para níveis de 21 a 24 sacas/ha. E esses lucros só não foram maiores porque os custos de podução também subiram significativamente.
Apesar de terem batido recordes no início de 2004, tudo indica que nos próximos anos os preços da soja irão recuar para patamares mais baixos, da ordem de US$ 12/sacas no Mato Grosso do Sul, quando então a rentabilidade deverá ser da ordem de 13 a 16 sacas/ha.
Demanda A escassez da carne bovina deverá ser significativa em 2005 e 2006, o que provocará forte alta dos preços pecuários em função da consequência da diminuição do ritmo de abates de matrizes, devido à escassez de animais de reposição, o que resultará em sua valorização.
A alta prevista provocará mudanças nos sistemas de produção pecuários, levando-os a intensificar-se e integrar-se com a lavoura. Além disso, as terras das regiões pecuárias inaptas para a agricultura, caso do Pantanal, Vale do São Francisco, Tocantins e Guaporé, além da Amazônia, deverão apresentar forte valorização. Portanto, 2004 é o ano de investir na formação ou ampliação de rebanhos, aproveitando os preços baixos da pecuária.

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