Lucro de 26% em confinamento
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 08 de agosto de 2003
Cláudia Barberato<br>Reportagem Local 
O proprietário da Fazenda Caetê, em Ortigueira (113 km ao sul de Apucarana), Takashi Yamaue, espera colher bons resultados para os investimentos feitos desde o ano passado num projeto de produção de carne a pasto com terminação no confinamento.
Os resultados devem aparecer já a partir de outubro deste ano, quando saem os primeiros animais do confinamento. A expectativa é receber R$ 65 pela arroba do boi gordo, prevista por analistas, a partir de um custo de produção de R$ 48.
O passo inicial à procura de eficiência foi a implantação de um projeto de manejo rotacionado nas pastagens da fazenda, com uso de cerca elétrica para divisão dos piquetes de braquiarinha e brizantão. O trabalho começou em 2002 e já possibilitou dobrar a média de lotação das pastagens, de uma cabeça por hectare para duas.
O manejo de pastos em rotação permite que os animais recebam oferta de alimentos nesse período da seca e entrem em melhor estado no confinamento, avalia Pedro Katsuki, agrônomo que orienta o projeto na Fazenda Caetê.
Segundo ele, o sistema também permite aumentar a lotação de animais por área, mas isso só acontece se o pasto for bem tratado. ''Se o pasto for ruim vai aumentar a lotação, mas o alimento não terá qualidade. A partir daí será preciso suplementar na seca.''
Na fazenda Caetê parte do plantel de recria fica no pasto até as 14 arrobas e a seguir segue para terminação no confinamento. O objetivo do pecuarista, que tem um plantel de 600 animais, é confinar 300 bois por ano.
Segundo o gerente da propriedade Paulo Cesar Rodrigues, este ano foram confinados 109 animais em julho e mais 91 cabeças serão fechadas até setembro. No confinamento os animais recebem volumoso de cana, casca e farelo de soja, farelo de algodão, germen de milho e um pouco de concentrado, além de uréia, três vezes ao dia.
O gerente reconhece que o custo da dieta do confinamento não é baixo: R$ 48 a arroba. A vantagem, segundo ele, é poder tirar animais prontos, de seis a oito meses antes do período normal, durante a entressafra. Se estes animais fossem terminados a pasto só estariam prontos de abril a maio do ano que vem. Terminados antes são colocados no mercado num período de baixa oferta e preço melhor. Outro bom apelo de venda será a idade: animais precoces, prontos com idades entre 24 e 28 meses.
Para os animais que continuam a pasto e só ficarão prontos no ano que vem a dieta inclui sal mineral proteinado nesse período de inverno. O manejo rotacionado, garante o gerente da fazenda, proporciona uma oferta de capim, ainda que em menor quantidade. A ração concentrada é usada apenas quando necessário, em menor quantidade, para evitar perda de peso no rebanho.
Quando é preciso suplementar animais no cocho a pasto, conta Paulo Rodrigues, o serviço é feito. ''Sempre racionalizamos o uso da ração para evitar aumento no custo de produção, mas nosso planejamento evita que o animal entre na seca com 14 arrobas e saia com 12, como é comum ainda acontecer'', conta.


