Enquanto produtores de todo o País estão desestimulados com a cultura do trigo e reduzem a área de plantio, no município de Tibagi, a 90 quilômetros de Ponta Grossa, na região Sul do Estado, a situação é inversa. Os agricultores estão acreditando e investindo ‘‘pesado’’ no trigo, e aumentando a área de cultivo a cada ano.
Se para muitos produtores o trigo é encarado como uma cultura de risco, sem mercado e com o preço baixo, em Tibagi ele é sinônimo de lucro certo. Com a aplicação de tecnologia de ponta e muitas vezes utilizando recursos próprios na produção, os triticultores do município estão conseguindo altos índices de produtividade, que chegam a superar em 50% a média estadual.
O produtor Ivo Arnt destaca a qualidade das variedades desenvolvidas pela pequisaProdutividadeDe acordo com Sinval Ferreira da Silva, representante da empresa que presta assistência técnica a mais de 6 mil hectares de culturas de inverno em Tibagi, para esta safra a média de produtividade no município deve chegar a 3.000 kg/hectare. No Estado, essa média deve ficar em torno 1.900 kg/ha.
Produzir com rentabilidade, explica Sinval, é um dos segredos do trigo em Tibagi. ‘‘Para ganhar dinheiro e tornar a cultura viável, é preciso ter uma boa produtividade’’, disse. Na última safra alguns agricultores conseguiram até 4.360 kg/ha em algumas áreas. A expectativa de Sinval para este ano, é que em alguns talhões a produtividade possa ultrapassar essa marca.
Sinval resume a realidade da cultura em Tibagi, usando uma frase de um agrônomo amigo seu, chamado Angelo Ferronato. Ele diz o seguinte: ‘‘quem faz conta planta trigo’’. Na visão de Sinval, quando a produção é feita com profissionalismo, não existe como perder dinheiro plantando trigo.
César FerrariSinval da Silva faz as contas e mostra que a cultura do trigo pode ser viávelFazer as contasSinval faz as contas e mostra que a cultura pode ser viável. O trigo tem um custo variável de produção de aproximadamente R$350,00/ha. Com um preço mínimo que está sendo praticado pelo mercado de R$ 157,00/tonelada e uma produção de 3.000 kg/ha, o produtor consegue tirar R$ 471,00/ha. Um lucro de R$121,00/ha. Isso se o produtor entregar o trigo pelo preço mínimo.
Mas, como a expectativa é colocar o trigo no mercado a um preço médio entre R$170,00 e R$190,00 a tonelada, o lucro poderá ser bem maior. Principalmente por causa desses números, explica Sinval, que o trigo em Tibagi é considerado a principal cultura de inverno e a terceira do ano agrícola, perdendo apenas para a soja e o milho.
Outra situação que reforça a tese de Sinval, de que não existe como perder dinheiro com o trigo, é a necessidade de utilizar uma cobertura verde no inverno. No sistema de plantio direto, os agricultores ficam obrigados a produzir no inverno para rolar a palha que será utilizada no cultivo de verão.
De acordo com Sinval, o custo de produção de 1 hectare de aveia para rolar como adubação verde, é de R$100,00. Nesse caso, além de não obter nenhum lucro, já que a maior parte da aveia cultivada será rolada e transformada em palha, o produtor ainda entra no plantio de verão devendo R$100,00. Plantando trigo, na pior das hipóteses, quando tiver um lucro de R$100,00/ha, ele empata o investimento e começa o verão do zero.
InvestimentoUm dos principais exemplos de investimentos no trigo em Tibagi, é o agricultor Ivo Carlos Arnt Filho, que nesta safra vai colher 1.200 hectares da cultura. A área cultivada por Ivo este ano é 30% maior do que na última safra. Ele justifica seu interesse pelo trigo, alegando que por ser uma cultura muito técnica, basta trabalhar dentro das recomendaçäes de variedades para ter um boa produtividade.
Segundo Ivo, outro fator que vem colaborando para o aumento da área cultivada em Tibagi, é a introdução de novas variedades no mercado. Disse, que nos últimos 5 anos a qualidade do trigo mudou bastante, com o potencial das variedades melhorando em praticamente 100%. ‘‘As novas variedades nos dão condições de produzir o que o mercado está exigindo’’, acrescenta.
‘‘Podem pensar que estamos indo contra a maré, mas a diferença é que nós fazemos cálculos, somos administradores rurais’’, coloca Ivo. Ele explica, que muitas vezes o produtor é apenas agricultor, e não enxerga depois da porteira. É preciso estar por dentro do mercado, conhecer e experimentar novas variedades, disse.
RentabilidadeIvo diz que descobriu que o trigo pode ser altamente rentável, através da utilização da alta tecnologia, aliada a novas variedades. De acordo com Ivo, também é preciso investir pesado para obter um bom lucro. Ele cita como exemplo o custo produção da cultura em Tibagi, que fica pelo menos 30% acima do custo médio do Estado. ‘‘Isso é investimento, mas também é retorno’’, afirma Ivo.
No caso de Ivo, que também planta uma pequena área com aveia, a opção pelo trigo também tem relação com a rotatividade de culturas, necessária para evitar a incidência de doenças na lavoura.

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