Lucrativa, Canola ganha espaço no inverno
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sexta-feira, 28 de setembro de 2012
Mariana Fabre <br> Reportagem Local 
Preços altos, facilidade de comercialização, custo de produção reduzido e benefícios agronômicos no sistema de rotação de culturas são características que fazem da canola uma alternativa de cultivo de inverno cada vez mais procurada pelos produtores paranaenses. Dados da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (Seab) indicam que a área plantada com o grão aumentou 300% nas últimas cinco safras, passando dos 3,9 mil hectares 2007 para os 11,6 mil hectares atuais. Nesse período, a produção teve crescimento de 370%, atingindo 20,8 mil toneladas em comparação às 5,6 mil toneladas de 2007.
Nesta safra, a ascensão da cultura foi freada pela competição com o milho de segunda safra, cujos preços estão bem atraentes. No entanto, mesmo com a redução de 13% na área cultivada, a safra 2011/12 deve ser 41% superior à anterior, que sofreu com uma forte geada registrada em junho de 2011. No total, o Paraná deve colher 20,8 mil toneladas de canola.
A região dos Campos Gerais concentra grande parte da produção paranaense da oleaginosa. Na safra atual, são 4,2 mil hectares cultivados, área 192% superior à do ano passado, que totalizou 1,4 mil hectares. Segundo José Roberto Tosato, responsável pelo Deral de Ponta Grossa, esse crescimento é consequência do estímulo gerado pelo preço equiparado ao da soja e pela liquidez do produto. A facilidade de comercialização é resultado da produção atrelada a contratos de venda, sistema predominante no Estado. Mais de 80% da safra já está colhida e toda a produção negociada. ''Apesar do crescimento, a produção ainda é baixa no Paraná, o que facilita a comercialização e impulsiona os preços'', comenta.
De acordo com o presidente da Associação Paranaense de Produtores de Canola (APR-Canola), Geovani Teixeira, a definição do zoneamento climático para a canola resultou na liberação de linhas de financiamento para o custeio da lavoura e também de seguro rural da cultura, o que trouxe mais tranquilidade ao produtor. ''A canola veio para ficar como uma excelente opção de inverno que permite a otimização de maquinário e pessoal'', argumenta.
O diretor comercial da AG Teixeira, Sebastião Aparecido Hollandini, comemora o resultado das lavouras de canola no Paraná este ano. Apesar da estiagem ter reduzido o rendimento em algumas regiões, ele estima uma média de 1.700 kg/ha nas áreas de atuação da empresa, que totaliza 12 mil hectares no Paraná. A alta rentabilidade e o custo de implantação da lavoura, equivalente a 40% do custo da soja, gerou incremento de aproximadamente 30% na área cultivada por produtores ligados à AG Teixeira em relação à safra anterior.
Preços
Apesar da produtividade da canola ser menor do que a de trigo, o valor elevado do produto, o custo reduzido e a facilidade de comercialização, tornam o grão mais rentável ao produtor. No País, a cotação da canola acompanha os preços da soja, que este ano atingiu valores recordes no mercado internacional em razão da quebra da safra norte-americana. Em agosto, a saca de soja foi comercializada no Paraná a R$ 72,60, e na semana entre 17 e 20 de setembro, levantamento do Deral indicou vendas na média de R$ 73,27 a saca.



