Londrinense desenvolve primeira raça de porte do País

O canto e a beleza dos canários sempre fizeram parte da vida do empresário Marcelo Pívaro. O londrinense ganhou o primeiro casal de pássaros ainda criança, com 8 anos, e hoje, aos 46, a paixão pelos animais só cresceu. O que talvez ele nunca imaginou foi a possibilidade de desenvolver sua própria raça de porte - a Pívaros - primeira que está em processo de reconhecimento no Brasil em toda a história da canaricultura nacional.
Aos 14 anos, Marcelo começou a trabalhar e já dedicava tempo a este hobby tão prazeroso. Naquela época possuía 20 casais. Ao longo do tempo, ele já teve diversos espaços para as aves, e hoje conta uma estrutura de 60 metros quadrados, toda padronizada dentro das normas da atividade, e possui 200 casais de cinco raças de porte diferentes: Crest, Lancashire, Fife, Gloster e, claro, a Pívaros. "As raças de porte são de beleza, forma; você tem que trabalhar com essas características e foi isso que acabou me encantando. É uma terapia para cabeça, quando estou nervoso, preocupado, fico no canaril e esqueço do mundo", salienta.
A história da raça Pívaros começou há 9 anos, por acaso. A ideia de Marcelo era fazer um melhoramento genético na Gloster e acabou fazendo uma "mistura" com a Crest. Ao invés da melhoria, acabou nascendo animais com características totalmente distintas. "O manual dos canários de porte mundial diz que para se ter uma raça nova, é necessário no mínimo três diferenças de qualquer raça já existente. A Pívaros acabou vindo com quatro diferenças de cada uma das raças de origem. Durante anos, fui filtrando essas características e formando a nova raça. Hoje já consigo tirar exemplares sem misturar mais Crest e Gloster. São canários puros".
Os animais possuem de 14,5 a 15 centímetros e topetes de no mínimo 3 centímetros de diâmetro, bem maiores em relação ao Gloster. No próximo campeonato Brasileiro, em 2018, a ideia é que se inicie o processo de reconhecimento da raça. "Ele será reconhecido pela Federação Ornitológica do Brasil e, depois, a mundial. Um processo que vai demorar de cinco a seis anos. Já existem canaricultores que querem criar a raça, mas por precaução, vou esperar o reconhecimento. A partir do ano que vem já devo passar uns 30 a 40 casais de Pívaros para outros criadores".
Em três ou quatro anos, a ideia de Marcelo é passar sua empresa de guindastes totalmente para o filho na sucessão familiar e curtir a aposentadoria, em tempo integral, focando nos canários. "É meu projeto, não visando lucro, mas qualidade de vida. A minha aposentadoria será ficar em meio aos meus canários", projeta. (V.L.)





