Londrina terá sete vilas rurais
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sexta-feira, 14 de julho de 2000
Cláudia Barberato De Londrina 
Um sorriso nos lábios e muito otimismo. É assim que a trabalhadora rural Helena Lisboa, da região de Guairacá, patrimônio da região norte de Londrina, espera pela entrega de sua nova casa. Helena, o marido Jurandir e mais cinco filhos já estão há mais de dois anos na área onde funcionará a Vila Rural da Luz. Como não tinha onde morar, Jurandir ofereceu-se para ser o guarda do material de construção da vila.
Além de trabalhar como bóia-fria, durante as safras, em duas propriedades naquela região, Jurandir faz a entrega diária do material de construção da vila e ainda serve de vigia do local.
Para sustentoAs casas estão em fase final de construção, mas desde o sorteio dos lotes os futuros moradores, trabalhadores bóias-frias da região, estão plantando algumas culturas para sustento da família. Já colheram feijão, milho, abóbora e outras olerícolas. Estão plantando café e deverão colher milho nos próximos dias.
Outro morador do local será Leobino Salustriano. Ele conta que sempre trabalhou em propriedades rurais e finalmente terá seu pedaço de terra. Salustriano plantou milho no terreno da casa (cinco mil metros quadrados no total). Vou plantar feijão e depois o café, disse.
A orientação sobre o que plantar nos terrenos da vila rural deverá ficar a cargo da Emater regional de Londrina. Segundo o coordenador do projeto, Ildefonso José Haas, os moradores poderão receber recursos através do Projeto Paraná 12 meses, para implantar culturas que demandam mais investimentos como o café ou a fruticultura.
O objetivo a longo prazo, segundo Haas, é que os moradores se organizem e desenvolvam alternativas de processamento de alguns produtos artesanais, a exemplo do que acontece em outras vilas rurais do Estado. Essas alternativas aumentam o rendimento familiar e proporcionam melhores condições de vida para essas pessoas, acrescenta.
Culturas anuais como milho, feijão, arroz e outras, deverão ser exploradas para consumo e o investimento em café ou frutas, por exemplo, dependerá do dinheiro financiado e do interesse dos agricultores. Como a área é pequena, não compensa plantar culturas brancas (cereais); só se for para gasto da família, afirma Jurandir Lisboa. Segundo ele, mesmo com o plantio no terreno da Vila Rural, ainda continuará trabalhando nas safras em outras propriedades. Não dá para viver só disso, afirma.
Sete vilasA entrega da Vila Rural da Luz, de Guairacá, será feita na segunda quinzena de agosto. O local tem 35 moradias. O gerente da Cohapar em Londrina, Olavo Roberto de Arruda Campos, informa que a companhia deverá construir até o final do ano sete vilas rurais no município. O objetivo, segundo ele, é atender 265 famílias de trabalhadores rurais volantes.
Além dá Vila Rural da Luz, em Guairacá, estão previstas as vilas de Irerê, com 81 unidades; Guaravera, com 56 unidades; Lerrovile, com 46 unidades; a Vila Rural Barão Alexandre, com 47 moradias, no distrito de Paiquerê; a Vila de Maravilha, com 40 unidades e a de São Luís, com 46 casas. Das Vilas Rurais previstas, as de Irerê, Guaravera, Maravilha e São Luís ainda não foram iniciadas.
Em todo o EstadoO Paraná já conta com 410 vilas rurais, instaladas em 273 municípios, beneficiando perto de 16 mil famílias. São 259 vilas entregues, em 204 municípios (9.691 famílias), mais 121 em construção, em 103 municípios (5.150 famílias). Há ainda 30 projetos aprovados de novas vilas aprovados, equivalentes a mais 1.030 famílias atendidas.
O Programa Vila Rural é voltado aos trabalhadores rurais volantes. Em um terreno de 5 mil metros quadrados, o morador pode plantar e criar pequenos animais, para o sustento da família nos períodos em que não houver trabalho nas lavouras da região. O terreno e a casa, de 44,5 metros quadrados, são financiados pela Cohapar.
Segundo o gerente da Cohapar em Londrina as casas terão um financiamento de 20 anos e as prestações mensais deverão ficar entre R$18 e R$35. A taxa para pagamento de água e luz também é diferenciada em relação ao que se paga no perímetro urbano.


