Cláudia Barberato
A produção de leite começou há oito anos, a partir da demanda de consumo próprio da família e de uma outra empresa que Evandro Ferreira Tavares mantém em Londrina, para a produção de aparelhos de fisioterapia. Parte do leite era distribuída aos funcionários e o restante consumido na família. ‘‘O rebanho não era especializado e foi sendo aprimorado, para garantir a qualidade do produto’’, lembra Tavares.
Com o melhoramento genético dos animais e, consequentemente, o aumento da produção, parte do leite produzido passou a ser entregue numa cooperativa da cidade. ‘‘Mas o preço não pagava nem os custos com a alimentação dos animais e surgiu a idéia de montar um laticínio próprio’’.
Os investimentos para montar um laticínio, o Interleite, começaram no ano passado, porém ele só começou a funcionar em abril deste ano. Foi preciso esperar a liberação pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Paraná, encarregada da fiscalização estadual de produtos de origem animal. De posse do SIP/POA (Serviço de Inspeção do Paraná/Produtos de Origem Animal) o leite Catuaí Tipo B Integral foi lançado durante a exposição agropecuária de Londrina.
Na usinaO processo de produção é todo automatizado e em nenhum momento o leite entra em contato com as mãos humanas ou com ambiente. Dos tetos da vaca, o leite vai direto para o resfriador, através de tubulação de aço inoxável, diretamente para o resfriador.
No resfriador fica até no máximo 12 horas depois da ordenha, para ser pasteurizado. No pasteurizador o leite sofre um tratamento térmico: de 3 graus centígrados vai até 72 graus e retorna aos 3 graus centígrados para, então, ser industrializado e empacotado.
A chácara, onde está instalado o laticínio, fica na região da Viação Velha, e tem a estrutura de produção, manejo, ordenha automatizada, pasteurização, laboratório de análises e industrialização e envase do leite. Há também pastagem, local para armazenar silagem (produzida em outra propriedade da família), maternidade para bezerros e o tie stall, uma instalação onde ficam as vacas em lactação, que são ordenhadas duas vezes por dia. Dali, elas só saem duas vezes por semana, para pastar.
Especialização no manejo Outro investimento foi a contratação de profissionais especializados no manejo nutricional e sanitário dos animais. Segundo o responsável pelo manejo dos animais, Luís Carlos Babugia, atualmente são 37 vacas em lactação com produção média diária de 700 litros, produto de duas ordenhas.
Ao todo o rebanho é composto por 106 vacas, novilhas e bezerros. Faz-se inseminação artificial e transferência de embriões, inclusive com animais nascidos na propriedade. Tavares espera conseguir, em pouco tempo, somar a produção de mil litros por dia,e o retorno de parte do investimento, que ele não revela quanto foi, em 36 meses. ‘‘Mais tarde a produção será ampliada.’’
Todo o projeto para a instalação do laticínio foi feito para 100 vacas em lactação, com uma média de 2700 a 3 mil litros diários, para atender o mercado de Londrina e região. Para chegar a estes números Tavares terá que aprimorar ainda mais os animais de seu plantel.
MercadoO fato do leite ser entregue diretamente ao consumidor, sem intermediários, segundo Tavares, torna o negócio mais rentável para o produtor. No início do funcionamento, conta Tavares, o laticínio distribuiu folders com informações sobre como funciona a produção. Além disso, entregou em alguns bairros da cidade um litro do leite gratuito. ‘‘O retorno foi bom. Hoje estamos distribuindo mais de 400 litros diários e atendendo cerca de 130 famílias. O objetivo é entregar, em pouco tempo, a produção total.’’
A entrega do leite é diária e o pagamento mensal. Ele afirma que, além de condomínios de apartamentos, hotéis e restaurantes também estão comprando o produto. São feitas duas linhas em três dias alternados em regiões da cidade. Em alguns bairros ainda não foi feita a divulgação do produto, o que deverá acontecer ainda este mês.
O SIP de Londrina, que controla o funcionamento de laticínios no mercado paranaense, está instalado na sede do núcleo da Secretaria do Estado, que tem abrangência sobre 23 municípios de Londrina e região. É lá que deve ser feito o registro e todo o processo de instalação de um laticínio que irá comercializar o produto no Estado.
Há ainda o serviço de inspeção municipal, que restringe a venda do produto ao município onde está instalado o laticínio. Ele é controlado pela Vigilância Sanitária Municipal. Já o serviço de inspeção federal é de âmbito do Ministério da Agricultura e os escritórios regionais se encarregam dos processos de liberação de usinas e laticínios e da fiscalização.
Segundo a veterinária do SIP de Londrina, Edna Mayumi Yuashi, atualmente existem na região seis laticínios em funcionamento, habilitados para a produção do leite ou derivados através do serviço estadual.
Dos seis, apenas três são de produção de leite, e o restante faz iogurtes ou queijos. Duas são de Londrina, a Interleite e a Londrina. Há também a S.Yano, de Centenário do Sul. Este ano, segundo a veterinária, duas empresas interromperam a produção.Indústria entrega a produção, de leite B, diretamente ao consumidor e espera vender mil litros por dia
Paulo WolfgangNo caprichoManejo, higiene de ordenha, genética e instalações são parte do investimento para produção do leiteAtravés de tubulação, dos tetos da vaca o leite vai diretamente para a sala de pasteurizaçãoTavares acredita que venda direta e qualidade do seu produto irão, a curto prazo, viabilizar a venda de mil litros/mês

mockup