Depois do abate o animal é lavado e dele são retirados os miúdosO casal Teresinha e José Korki montou há 15 dias, na Chácara São Judas Tadeu, no Distrito de Maravilha, em Londrina, um pequeno abatedouro de suínos, carneiros e cabritos, para atender o mercado da região e de outros municípios do Estado. A maior parte dos animais para o abate são comprados no Sul do Paraná, entre Palmital e Pitanga.
O local está funcionado com a autorização do Serviço de Inspeção Estadual do Ministério da Agricultura e, segundo José, é o único abatedouro no Estado com autorização para abate desses animais. ‘‘Fora um abatedouro somente de carneiros na região de Curitiba, somos o único com o SIP, mas tem muito abate clandestino por a풒, ressalta José.
GarantiaO carimbo é aplicado, no caso das leitoas, nas paletas e pernis, para garantir um produto com inspeção
José reclama da falta de fiscalização no abate e venda de animais que são mortos e vendidos sem inspeção: ‘‘Além de ser prejudicial à saúde, comer uma carne sem inspeção sanitária, a concorrência do abate clandestino acaba prejudicando quem faz tudo dentro da Lei.’’
QualidadeSeis pessoas trabalham no abatedouro. Entre elas, Valdir Antônio e Inez Agnes, com mais de 10 anos de experiência no ramo. O casal veio de Pitanga, no Sul do Estado, onde já trabalhou no abate de pequenos animais. São duas pessoas no abate, propriamente dito, depois outros dois funcionários lavam e retiram os miúdos dos animais. E mais outras duas pessoas terminam o processo, até a colocação dos animais na câmara fria.
No caso dos suínos, depois de abatidos, lavados e retirados os miúdos, os animais são colocados em ganchos para receberem o carimbo do SIP e, a seguir, são guardados no resfriador, onde ficam cerca de 12 horas. Depois são retirados e colocados na câmara fria já na embalagem, de onde saem, conforme as encomendas, de 2 a 8 dias depois.
Dorico da SilvaO abate de carneiros também é feito conforme a demanda do mercado
Para garantir a qualidade do produto abatido, e sob orientação do serviço estadual de sanidade animal, os carimbos estão sendo feitos de modo a não ser possível misturar as carnes do abatedouro, na hora da venda em supermercados, por exemplo, com outras carnes sem o serviço de inspeção. A leitoa leva quatro carimbos (nas paletas e nos pernis). No carneiro e no cabrito o carimbo é aplicado nas paletas, costelinhas e pernis.
AproveitamentoNo período que antecedeu o Natal o abatedouro matou dois mil animais, entre leitoas, cabritos e carneiros. Já na semana do Revéillon a encomenda caiu para mil cabeças. Os compradores foram casas de carnes, supermercados e restaurantes, de Curitiba a Maringá. Passadas as festas de final de ano, o casal espera permanecer com a clientela e até ampliar o fornecimento para outros municípios.
O abatedouro ainda não faz o aproveitamento dos miúdos e da pele dos animais. ‘‘Por enquanto, os miúdos ficam para consumo das pessoas que trabalham e moram na chácara’’, informa José, que tem planos, junto com Teresinha, de aproveitar os subprodutos dos animais, para aumentar a lucratividade do negócio.
Outro plano do casal para 98, segundo Teresinha, é fazer defumados e embutidos. ‘‘Vamos fazer a linguiça fresca, tradicional, e outra com salsinha e alho em pó, muito saborosa’’. Vão trabalhar também, no caso de suínos, com animais maiores, o que dará a possibilidade de vender costelinha, lombo e pernil, separadamente.
A chácara tem também uma pequena criação de suínos e carneiros, que José espera aumentar para abater seus próprios animais, ‘‘e não depender mais dos fornecedores.’’
ExigênciasPara atender todas as exigências do serviço de inspeção do Ministério da Agricultura, como trilho para colocar animais nos ganchos, paredes pintadas de branco, pocilgas, mesas de inox, entre outras, o casal investiu R$ 60 mil. José espera recuperar metade do investimento neste ano. Os carneiros, leitoas e cabritos abatidos no TR Korki são vendidos a R$ 3,50-R$ 3,80 o quilo. A lucratividade fica entre R$ 1,50 e R$ 2,00 o quilo.

mockup