Londrina para o mundo
Nos seus 30 anos, o grande mérito da Embrapa Soja foi ter reunido condições para que a soja pudesse ser plantada com sucesso no Centro-Oeste e no Norte do País, ampliando a fronteira agrícola brasileira e garantindo a ocupação daquela região. Hoje, as variedades adaptadas ao clima tropical são atração em todo o mundo e diferentes países têm procurado a Embrapa em busca de parcerias da adquisição de tecnologias. É o que diz o chefe de Pesquisa e Desenvolvimento, João Flávio Veloso Silva.
Folha No ano passado foi lançada a campanha ''Londrina: Capital Tecnológica da Soja''. É só em função da Embrapa Soja estar na cidade?
João Flávio Esse é apenas um dos fatores. Há muitos anos temos uma grande produção de soja aqui na região e Londrina é um pólo gerador de tecnologias. Além da Embrapa, temos aqui outros grupos de pesquisa com soja, tanto na UEL quanto no Iapar. E a Embrapa Soja foi responsável, nestes últimos 30 anos, por adaptar a cultura às condições brasileiras. Não foi uma tarefa fácil, afinal a soja é originária de países com clima temperado. O desenvolvimento dela é governado pelo comprimento da noite. Então, para que se pudesse plantar soja e produzir bem em região tropical criamos o chamado 'período juvenil longo'. O Brasil todo acabou sendo beneficiado. Hoje detemos as melhores tecnologias do mundo para a soja em regiões tropicais.
Folha Por que a Embrapa Soja foi instalada em Londrina?
João Flávio Ela não foi colocada aqui por acaso. Londrina é o local onde se consegue fazer pesquisa buscando adaptação para todas as regiões brasileiras. É o ponto mais ao Norte onde se pode fazer pesquisas para o Sul e o ponto mais ao Sul onde podem ser desenvolvidas cultivares tropicais. A localização geográfica de Londrina é estratégica.
Folha - Que países de clima tropical já vêm sendo beneficiados pelas descobertas feitas pela Embrapa Soja?
João Flávio Além dos nossos vizinhos, Paraguai, Bolívia, Venezuela e as Guaianas, que já vêm utilizando nosso germoplasma (tipos de genes) adaptado às suas regiões, temos consultas de vários países do Caribe, da África, Índia e China. Na África, há interesse tanto dos países que já produzem soja, como Zimbábue e África do Sul, quanto de outros que não a cultivam, mas querem plantar variedades adapatadas à alimentação humana. O mais curioso é a China, país onde a soja se originou, que quer receber genes desenvolvidos no Brasil. Fazemos trocas constantes de germoplasma em busca de variedades resistentes a doenças e a China vem nos propondo trocas de sementes.
Folha - O 1º Congresso Mundial de Soja aconteceu em Foz do Iguaçu, em 2004. O próximo será em Londrina, em 2006. Qual a importância desse evento?
João Flávio - Para a Embrapa Soja é um momento importante para troca de informações com pesquisadores de outros países, para delinearmos novas parcerias e continuarmos trabalhando com tecnologias de ponta. No primeiro congresso recebemos especialistas de 50 países, aproximadamente 2 mil pessoas. É esse número que estamos esperando para o evento de Londrina. Para a cidade também será um momento importante, teremos pessoas influentes e de diversos países conhecendo as potencialidades de Londrina e vendo que é um local agradável e bastante desenvolvido.
Folha - Há pesquisadores daqui trabalhando com órgãos de outros países?
João Flávio - Desenvolvemos programas com instituições dos quatro cantos do mundo. Parcerias com universidades dos Estados Unidos, Holanda, Inglaterra e trocas com institutos do Paraguai, da Argentina, Japão, China e com países da África e do Caribe. Recebemos estudantes e produtores de fora. Recentemente vieram a Londrina duas caravanas de produtores dos Estados Unidos para ver como produzimos soja no Brasil e como controlamos a ferrugem, uma doença com a qual já convivemos e que eles ainda não têm lá.
Folha - É compensador o investimento feito pela Embrapa com viagens de seus pesquisadores?
João Flávio A maior parte das viagens são bancadas pelas instituições interessadas nas nossas pesquisas. No caso dos países da África, por exemplo, num programa maior que é financiado por agências internacionais, eles é que custeiam a ida de nossos pesquisadores.

mockup