Com mais de 12% de participação estadual no VBP (Valor Bruto da Produção), a riqueza advinda da cultura, Londrina é o maior produtor de batata-doce do Paraná. Relatório elaborado pelo Deral (Departamento de Economia Rural), órgão ligado à Seab (Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento), aponta que no município o VBP resultante do cultivo do tubérculo alcançou R$ 15,2 milhões em 2023 e a produção atingiu 7,6 mil toneladas, sendo cultivada em 360 hectares de terras em Londrina.

Atualmente, o município conta com 17 produtores de batata-doce cadastrados na Ceasa. “A maioria dos produtores são agricultores familiares. Devido ao uso intenso de mão de obra, cada vez tem diminuído o plantio devido à falta de pessoas para os tratos culturais, colheita, classificação e lavagem da batata doce”, destaca Paulo Roberto Mrtvi, extensionista do IDR (Instituto de Desenvolvimento Rural) em Londrina.

O instituto presta assessoria aos produtores a respeito do plantio e busca por variedades novas. “O IDR fornece mudas, como da batata-doce Iapar 69. Fizemos a distribuição de mudas em algumas comunidades, para que sejam multiplicadas pelos agricultores”, destaca.

O instituto presta ainda assessoria para acesso ao crédito rural, elaborando os projetos. Também apoia os produtores para que sejam fornecedores do PAA (Programa de Aquisição de Alimentos) e do PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar), dois programas governamentais de compras públicas de alimentos produzidos por agricultores familiares no Brasil.

“Acredito que, com o envelhecimento da população rural e até a troca de algumas culturas por culturas mecanizadas desde o plantio até a colheita, muitos produtores vão deixando de plantar alguns tubérculos. É necessário termos equipamentos desde o plantio até a colheita. Temos na atualidade lavadores de tubérculos, o que já é um avanço. Novas tecnologias serão bem-vindas para a evolução do plantio dessa cultura”, conclui.

INVESTIMENTO

O agricultor Paulo Henrique de Lima começou a cultivar batata-doce em sua propriedade no distrito de Guarareva, há 18 anos. O início na atividade foi estimulado pelo baixo investimento na produção. Hoje, são 2 alqueires de suas terras ocupados pelo tubérculo. A expectativa para este ano é positiva: ampliar em 50% o volume de produção – no ano passado, foram produzidas 100 toneladas. Em 2025, é esperado um volume de 150 toneladas.

Apesar da expectativa de aumento no volume, o produtor aponta que o mercado atualmente está ruim para a cultura. “2025 deve ser pior por causa do aumento dos produtores e da área plantada”, destaca. Um dos impactos desse cenário são os preços.

Segundo o produtor, enquanto o preço pago pela caixa de 20 kg em fevereiro de 2024 estava em R$ 50, no mesmo mês de 2025 caiu para R$ 30. “No momento, a batata-doce não está sendo muito lucrativa, já teve anos muito melhores. No entanto, em relação a outras culturas, está razoável”, analisa.

Para garantir o máximo em produtividade e qualidade, Paulo adota algumas práticas no cotidiano. “Faço um bom preparo no solo e as plantas sempre estão bem nutridas. Faço correção e adubação do solo e também rotação na área plantada, que inclui milho e mix de aveia e nabo”, enumera.

Entre os desafios da atividade, o produtor cita a escassez de mão de obra e o clima – hoje o trabalho no dia a dia fica a cargo da família do agricultor e de mais três funcionários. “O clima está descontrolado, com excesso de calor e de chuva”, pontua. Toda a produção é comercializada para a Ceasa de Londrina.

NO ESTADO

Segundo o relatório do Deral, o volume produzido de batata-doce no Paraná em 2023 superou 60 mil toneladas, fazendo com que Londrina respondesse por mais de 12% do volume total cultivado no estado. Em todo o Paraná, a batata-doce foi produzida em 331 municípios em 2023, resultando em um VBP de quase R$ 121 milhões.

O segundo município com maior produção do legume foi São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, com uma produção de 7,5 mil toneladas em 400 hectares de terras, resultando em um VBP de R$ 15 milhões.

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