Qual região do País seria ideal para receber uma unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária que atuasse no desenvolvimento de cultivares de Soja? O norte do Paraná, especialmente Londrina. Foi o que concluiu, em meados da década de 1970, uma equipe cujos membros foram devidamente selecionados e que tinha como coordenador o pesquisador Amélio Dall'Agnol, hoje chefe adjunto de administração da Embrapa Soja.
A área, segundo ele, era estratégica. ''Geograficamente, Londrina era o local com a terra mais privilegiada. Era o ponto mais ao sul do País e em que era possível produzir tecnologia para o norte e, por outro lado, o mais ao norte do Brasil que pudesse servir de base para pesquisas de cultivares para o sul'', explica.
Na época, a soja estava ''com tudo'' e mesmo em regiões como a de Londrina onde a produção de café era destaque mundial, a oleaginosa ganhou espaço. ''O café vinha de frustrações, desde os anos 1950. O preço do grão não estava favorável e a soja aparecia como ótima opção'', rememora Dall'Agnol. Além disso, já há alguns anos agricultores do Sul do País cultivavam a soja entre o café. E o impulso derradeiro veio após a geada que atingiu os cafezais do Estado, em meados da década de 1970, exatamente no momento em que a unidade da Embrapa em Londrina estava sendo instalada.
No mapa do tempo, a importância da produção da espécie se vê na evolução dos números. Na década de 1980, conforme Dall'Agnol, 80% do cultivo do grão acontecia no Sul do Brasil. ''Hoje 63% está no Centro-Oeste do País'', enfatiza o pesquisador, que justifica esse crescimento à tecnologia. Conforme ele, ainda há no País cerca de 100 milhões de hectares que podem ser cultivados com a soja, sem atingir área de nenhuma outra cultura ou agredir o meio ambiente.
Entusiasta do programa da Embrapa Soja, Dall'Agnol faz questão de reforçar que o Brasil é o único produtor do grão no mundo que ainda tem área para crescer, clima favorável, água abundante e tecnologia para isso.
Marco do agronegócio
Na opinião do pesquisador, a soja é um divisor de águas do agronegócio brasileiro. Em 1970, para se ter uma ideia, tinha a menor área entre as oito principais culturas do País - entre elas, café, trigo, milho, arroz e feijão - hoje é a primeira. ''A soja ensinou o País a produzir alimentos e foi o motor da mecanização na lavoura'', pontua Dall'Agnol. E dentro dessa tecnologia, acredita ele, o principal beneficiado foi o milho. O agronegócio, conforme o pesquisador corresponde por 30% do Produto Interno Bruto e por 43% da exportação. (E.Z.)

mockup