Brasil competitivo no mercado internacional, com dinheiro a juros baixos para investir, boas perspectivas para a produção, tecnologia... Alicerces mais que viáveis para os próximos anos, mas que esbarram num problema antigo e que influencia demais como o produtor olha o futuro da atividade: a logística dificultosa de trabalhar da porteira para fora. Não é exagero dizer que da soja colhida até chegar ao Porto de Paranaguá em direção à China, por exemplo, se trata de uma novela bastante onerosa para o agro.

Aí vão alguns números bem difíceis de engolir divulgados durante o 3º Fórum do Agronegócio pelo Movimento Pró-Logística, da Aprosoja Brasil, que reúne entidades dos setores agropecuário, industrial, comercial e da sociedade civil organizada, principalmente de infra do Mato Grosso até chegar aos principais portos para exportação.

O custo com transporte de soja de Sorriso (MT) até o Porto de Paranaguá – algo em torno de 2,2 mil quilômetros - custa aproximadamente US$ 88 por tonelada. Para chegar a Xangai, na China, são mais US$ 23, ou seja, total de US$ 111. No caso dos EUA, o custo de transporte dentro do país até o porto gira em torno de US$ 20, mais US$ 36 de transporte marítimo até a China. Total por tonelada de US$ 56.

“Essa diferença é o grande problema do Brasil (comparado a seus concorrentes como os EUA). Enquanto eles têm 220 mil quilômetros de ferrovias, o Brasil tem 30 quilômetros, dos quais apenas 12,5 mil estão operando”, explicou o diretor do Movimento Pró-Logística, Edeon Vaz.

Vaz também cita a diferença entre o sistema de hidrovias entre os dois países. “Eles possuem o Mississipi e seus afluentes, um sistema muito bem disciplinado, enquanto nós mal temos a hidrovia do Tietê-Paraná. Nós aqui transportamos em rios que se navega, não são hidrovias”.

Luiz Henrique Dividino, consultor internacional para Logística Portuária com ênfase no segmento de commodities, relata que o problema do Brasil é específico em infraestrutura. “Na logística, temos rastreabilidade, previsibilidade, caminhões, vagões, planejamento. Não temos infraestrutura. No Brasil estão as maiores companhias de logística do mundo, os maiores traders, o problema é que tudo está fora do eixo. O boom de ferrovias no mundo aconteceu de 1830 a 1860. Eles modernizaram e nós não. Um comboio que sai de Londrina para Paranaguá demora sete dias para chegar.” Dividino relembrou a década de 1990, quando em quatro anos o Estado construiu 260 quilômetros de ferrovia. “Naquela época o nosso PIB era de R$ 34 milhões. Hoje é de R$ 430 milhões e a gente não consegue contratar um projeto de engenharia.” (V.L.)

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