Logística dificulta competitividade do agronegócio brasileiro
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sexta-feira, 21 de agosto de 2015
Reportagem Local 
Brasília Apesar de ter potencial para colher 206 milhões de toneladas de grãos na safra 2014/15, a questão da logística e infraestrutura das exportações requer atenção, principalmente no que se refere ao escoamento da produção de milho e soja no País. "Em 2014 tivemos um deficit de capacidade de embarque desses grãos em 64 milhões de toneladas. Se continuarmos com essa velocidade produtiva, mas sem melhorias em nossos transportes, principalmente nos portos, vamos ter todo esse potencial jogado fora", afirma Luiz Fayet, consultor de logística e infraestrutura da Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).
"O problema mais grave é o apagão portuário. Não escoamos nossa produção pelas rotas mais racionais, que seriam as do chamado Arco Norte portos de São Luís, Belém, Macapá, Santarém e Itacoatiara. Nossa produção rola rumo aos portos do Sul e do Sudeste", frisa Fayet. Ele ressalta que à medida em que o agronegócio foi avançando para as novas fronteiras, os custos logísticos da porteira do produtor até um porto de embarque encareceram. Hoje, equivalem a quatro vezes mais que os custos argentinos e norte-americanos. "Tudo em função da falta de infraestrutura. Se houvesse uma racionalização nesses custos, poderíamos botar no bolso de um produtor de soja ou milho uns R$ 4 a mais por saca."
O secretário executivo da Câmara Temática de Infraestrutura e Logística do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Carlos Nunes, acrescenta que os altos custos roubam a competitividade da produção. "Por isso é preciso mais alternativas e crédito nessa área."
Para o gerente de transporte e logística do Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES), Edson José Dalto, a logística sempre foi o "patinho feio" do agronegócio. Enquanto o Brasil só consegue transportar 53% dos grãos colhidos na porteira até o porto, os Estados Unidos conseguem escoar 60% da produção. Para ele, o escoamento rodoviário é mais barato e crescente, mas é ineficiente.
Dalto observou que o BNDES cresce, anualmente, 15% os desembolsos em logística. De 2003 a 2014 foram aprovados 194 projetos, de R$ 140 bilhões em financiamento, sendo R$ 63 milhões do banco. De 2015 a 2018, a previsão é que o BNDES financie R$ 69,2 bilhões. A partir de 2019, serão 129,4 bilhões.


