Logística de escoamento preocupa Aprosoja
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sexta-feira, 04 de maio de 2012
Victor Lopes <br> <br> Reportagem Local 
Guarujá - Esta década deve ser chave para os produtores de soja e milho do País. A estimativa é que a produção destas cultivares cresça 70% até 2021, saltando de 130 milhões para 220 milhões de toneladas. A evolução significativa, porém, preocupa a Associação dos Produtores de Soja (Aprosoja), que atua em sete estados brasileiros e é responsável por 60% da produção da oleaginosa. Para a entidade, as estradas ruins e portos estrangulados podem trazer situações irreversíveis para o escoamento das safras futuras, principalmente pela região Sul do Brasil. Tal situação foi debatida durante o 2º Clube da Soja, evento promovido pela FMC, que reuniu centenas de produtores de soja no Guarujá, litoral de São Paulo.
Glauber Silveira da Silva, presidente da Aprosoja, salientou que o ''Porto de Paranaguá está estrangulado'' e - sem a possibilidade de ampliar sua capacidade - os produtores do Mato Grosso acabam ''atrapalhando'' quem atua com grãos no Paraná. ''É como se tivesse apenas um táxi para duas ou três pessoas. Aliviar a pressão do porto significa baratear os custos de embarque para todos, principalmente pelos navios que ficam estacionados e caminhoneiros que saem do Mato Grosso para escoar a produção pelo Paraná. Temos o frete mais caro do mundo'', avaliou ele.
Para desafogar Paranaguá, a saída, segundo a Aprosoja, é exportar o produto através da região Norte e Nordeste, o que já está ocorrendo, mas ainda sem muita força. Números da associação apontam que há dez anos apenas 10% da produção era escoada pelo Norte, saltando para 20% em 2011. Em 2021, a expectativa é que 30% da safra saia por esta região. Para isso, a estimativa de investimento é de algo em torno de R$ 14 bilhões. ''O Mato Grosso tem que parar de 'entulhar' os portos do Sul, para que os produtores de lá possam trabalhar também com mais eficiência. Dinheiro nós sabemos que o governo tem, o que falta é vontade política'', salientou Carlos Fávaro, presidente da Aprosoja do Mato Grosso.
Para acelerar os trabalhos, a entidade do Mato Grosso criou há cerca de três anos o Movimento Pró-Logística, que vislumbra a construção de um porto no Norte do estado, na cidade de Apiacás, além do desenvolvimento de todo um modal hidroviário, que inclui a construção de eclusas para que a safra seja escoada até o Pará. ''Nossas hidrovias não são exploradas e as rotas rodoviárias não dão alternativa aos produtores. Este trabalho tem que ser desenvolvido de imediato, para que possamos usufruir de algumas delas a partir do ano que vem. Agora, exportar por portos localizados no Nordeste, acredito que só será possível num prazo de 3 a 5 anos'', relatou Fávaro.
No Paraná, a safra 2011/12 de soja fechou em 10,8 milhões de toneladas, 16,3% de todo o volume produzido no País. Já o Mato Grosso teve uma produção de 21,79 milhões de toneladas, o que corresponde a 32,73% de todo o volume nacional.
Mercado de defensivos
O mercado de defensivos agrícolas fechou 2011 com US$ 8,4 bilhões em vendas no País. 44% deste valor, ou US$ 3,7 bilhões, foram comercializados para aplicação nas lavouras de soja. É neste segmento que a FMC vislumbra ampliar seu market share até 2015, saltando dos atuais 3% para 10%. No ano passado, a empresa faturou US$ 640 bilhões no País, sendo que 20% do total foi captado através da oleaginosa.
A ascensão dos números, de acordo com o diretor comercial da empresa, Carlos Alberto Baptista, é baseado na criação de mais dois produtos, que devem sair em agosto deste ano. Com isso, o portfólio da empresa - que é líder de vendas de defensivos para as lavouras de cana e algodão - salta para quatro produtos. ''Até 2015, queremos que nosso faturamento atinja US$ 1,2 bilhão e que 50% do total seja na comercialização dos produtos para a soja e milho'', calculou Baptista, durante o 2º Clube da Soja.
* O jornalista viajou ao Guarujá a convite da FMC



