A destinação final para o esgoto urbano é um desafio para as cidades à medida em que esse resíduo dissemina doenças e ameaça contaminar o lençol freático por metais pesados e nitrato. A falta de uma alternativa para o destino final desse resíduo fez com que estações de tratamento ''estocassem'' o resíduo nas suas imediações, com riscos ambientais imprevisíveis.
O lodo que deriva do esgoto é um adubo eficaz e de baixo custo para formação de mudas de café - conforme estudo feito pelo estudante de agronomia Tiago Lima Ferreira, durante estágio no Programa de Iniciação Científica (Pibic). O resultado da experiência foi apresentado em seminário do Pibic promovido pelo Iapar e CNPq.
''O lodo bruto urbano em compostagem com outros materiais orgânicos (casca de café, casca de mandioca, palha de milho, etc.) é excelente adubo para formação de mudas de cafeeiro'', indicam os estudos. Os benefícios dessa pesquisa são a obtenção de um insumo de baixo custo e destinação ecologicamente correta para o esgoto urbano.
Formação - O lodo é o resíduo de constituição sólida resultante do tratamento das águas servidas de origem doméstica, industrial ou agro-industrial. Sua composição química varia de acordo com sua procedência - explica o orientador Júlio César Chaves, orientador da pesquisa.
O aproveitamento do lodo depende da tecnologia empregada no processo de higienização e estabilização na estação de tratamento de esgoto, afirma o pesquisador. ''Se o destino final for o aterro sanitário ou a incineração as exigências são menores; se for para a agricultura, cuidados maiores devem ser tomados visando a eliminação de odores indesejáveis e agentes patogênicos resistentes'', explica Júlio César.
O estudo foi desenvolvido pelo estudante de agronomia Tiago Lima Ferreira, estagiário e bolsista do Programa de Iniciação Científica (Pibic) e apresentado dias atrás no seminário promovido pelo Iapar e CNPq, que apreciou mais 34 temas.
Segundo o pesquisador Júlio César, orientador da pesquisa, a aplicação do lodo na agricultura é um conhecimento já existente, resta saber em que condições pode ser utilizado. No estudo relizado por Chaves e Ferreira ficou demonstrado que o lodo altera positivamente algumas características químicas do solo, bem como melhora a nutrição do cafeeiro. A etapa seguinte do projeto pretende avaliar o efeito do lodo em cafeeiros em produção, a fim de detectar modificações na composição do fruto e o que este fato poderá interferir na qualidade do grão e bebida.
Tiago Ferreira lembra que a aplicação do lodo na superfície do solo deve ser precedida de um manejo adequado para evitar contaminação de cursos da água e lençóis freáticos, portanto devem ser considerados fatores como topografia, tipo e textura do solo e até dados climáticos da região a ser aplicado.
Júlio Chaves observa que não adianta pesquisar e disponibilizar tecnologias se os governos não criarem estímulos ao uso dessa técnica. É preciso que hajam programas de política pública para agir em cima de um problema que se pronuncia de extrema gravidade para o futuro.

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