Professores Ricardo Takemoto e Gilberto Pavanelli, no laboratório do Nupélia, na UEMOs professores Gilberto Cezar Pavanelli e Ricardo Massato Takemoto, da Universidade Estadual de Maringá (UEM), e Jorge Eiras, da Universidade do Porto, Portugal, estão lançando o primeiro livro escrito em português sobre doenças de peixes. A obra, com o título ‘‘Doenças de Peixes - Profilaxia, Diagnóstico e Tratamento’’, é indicada para todos os profissionais que trabalham ou têm interesse na piscicultura e estudantes das áreas ligadas à criação de animais. ‘‘Procuramos fazer um livro técnico com linguagem acessível inclusive ao leigo’’, diz o professor Pavanelli, que é presidente da Associação Brasileira de Patologistas de Organismos Aquáticos (Abrapoa).
A idéia de produzir o livro surgiu com o crescimento da piscicultura e a falta de literatura sobre a criação de peixes de origem tropical. Até agora as poucas obras existentes tratavam de doenças de peixes comuns em outros países, e escritos em inglês, sem tradução para o português. Como boa parte das espécies criadas em cativeiro são nativas, praticamente não existiam informações para auxiliar os técnicos e piscicultores brasileiros. ‘‘A atividade vem ganhando muita força econômica, e precisa de apoio técnico para garantir resultados’’, afirma Pavanelli.
Dados do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) mostram que em 1995 a produção nacional aquícola em águas do interior foi de 40,5 mil toneladas. No mesmo ano a produção aquícola da América Latina foi de 386,1 mil toneladas. O que mostra que o Brasil produz pouco mais de 10% dos vizinhos continentais, apesar das condições ideais para a atividade. Pavanelli comenta que a realidade está mudando, e os tanques de fundo de propriedade, que serviam para o lazer, estão-se transformando em fonte de renda para o agricultor.
O livro procura mostrar, em 263 páginas, as principais doenças das espécies criadas no País, mesmo as importadas e hoje disseminadas nas principais regiões de piscicultura. ‘‘Colocamos na obra os 15 anos de pesquisas desenvolvidas no Núcleo de Pesquisas em Limniologia, Ictiologia e Aquicultura (Nupélia) da UEM e da Universidade do Porto’’, revela o professor.
Ele explica que o crescimento da piscicultura está ocorrendo de modo desordenado em todo segmento da atividade. Com o aumento da demanda, motivada principalmente pela proliferação dos ‘‘pesque-pague’’, os criadores desprezam algumas regras básicas. A principal é o espaçamento exigido por espécie em cada fase de vida. O maior problema, explica o professor Ricardo Takemoto, está na fase de engorda, quando o criador quer aproveitar o espaço para colocar um grande número de peixes, e acaba prejudicando o desenvolvimento e a saúde de toda a criação.
‘‘Procuramos no livro mostrar o espaçamento adequado para cada espécie, bem como o manejo total em cada fase de vida do peixe, para evitar prejuízos ao criador’’, afirma Takemoto. A intenção com a obra, segundo os autores, é evitar que as doenças se proliferem nos tanques desde a fase de reprodução até a despesca. Pavanelli explica que o tratamento de algumas doenças de peixes nem sempre traz resultados, apesar do alto custo. ‘‘Muitas vezes é melhor o criador descartar todo um lote e iniciar do zero, do que tentar um tratamento’’, afirma.
Além de manejo, profilaxia e tratamento, o livro mostra ainda as principais doenças que atacam cada espécie, mesmo as originárias de outros países e introduzidas na piscicultura nacional. ‘‘Mais de 70% da piscicultura do Paraná é de tilápia’’, explica Pavanelli. A obra trata ainda da nutrição correta de cada espécie em cada fase de desenvolvimento, e as patologias ocasionadas por deficiências nutricionais.
Serviço: O livro Doenças de Peixes...’’ é editado pela Editora da Universidade Estadual de Maringá, com patrocínio do CNPq, e pode ser adquirido através da Abrapoa, pelos telefones (044) 263-4839 ou 972-1874. O exemplar custa R$30,00 e R$25,00 para associados da Abrapoa.

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