Livro destaca a força dos ideais
Cristina Côrtes
De Londrina
A pesquisa dos fatos históricos mostrou a independência política da Sociedade Rural do Paraná, que cresceu se concentrando na defesa dos interesses da agropecuária. Assim se expressa a socióloga Maria Lúcia Victor Barbosa, quando fala sobre o que mais lhe chamou a atenção na preparação e elaboração do livro A colheita da vida, um resgate histórico da entidade, e que será lançado noa dia 11 de abril, na Casa do Criador, no Parque Ney Braga.
O livro foi encomendado pela diretoria da Sociedade Rural do Paraná (SRP), com o objetivo de registrar os esforços, realizações e conquistas da entidade e comemorar os 40 anos de exposições. A tarefa foi complexa e o tempo exíguo para realizá-la, mas procurei não abrir mão de análises pertinentes da minha formação de socióloga, comenta Maria Lúcia.
BerçoO livro começa resgatando a realidade da região onde nasceu a Sociedade Rural de Londrina. A colonização inglesa, única reforma agrária que deu certo no Brasil, na opinião da socióloga, a vinda de mineiros, paulistas e outras etnias foram determinantes no surgimento de uma nova mentalidade. Um plano de colonização com uma mentalidade liberal, que dava oportunidades a todos, facitando a compra de terras, com pagamento parcelado e que começou fazer a riqueza da região com a cultura do café, explica Maria Lúcia.
A geada de 1953 foi um marco que deu início a busca de outras alternativas, depertando os produtores para atividade pecuária. Já em 1946 havia sido criada a Associação Rural de Londrina, que organizou a primeira exposição em 1955, na gestão de Antonio Fernandes Sobrinho, Nesta primeira exposição, os organizadores já davam uma ênfase para a pecuária, impulsionados por Celso Garcia Cid, explica Mária Lúcia.
Em 1965 a entidade passa a ser denominada Sociedade Rural do Norte do Paraná, e em 1970, com o crescimento de sua área de influência, com alcance nacional, se torna Sociedade Rural do Paraná.
Além das datas mais significativas, a socióloga entrevistou vários ex-presidente, sócios e funcionários, na busca de desvendar os fatos a ações. Mais do que uma enumeração de datas e feitos materiais, quis registrar o estudo de uma mentalidade
Figuras marcantesNa segunda parte do livro, a socióloga fala da importância de Celso Garcia Cid, e destaca também as figuras de Omar Mazzei Guimarães, dos governadores Moisés Lupion, Ney Braga (que emprestou o nome ao parque, por sugestão de Paulo Pimentel.
Omar Mazzei ocupou a presidência da Rural de 60 a 69 e foi na sua gestão a inauguração do atual parque Ney Braga, em 1964, trazendo a Londrina diversas autoridades do governo federal e o Presidente da República Castelo Branco. O discurso de Mazzei na inaguração do parque ficou na história, porque o regime militar estava implantando a revolução de 64, e ele fez duras críticas a política agrícola. O clima naquele momento ficou muito pesado e muitos achavam que o presidente da rural sairia preso da solenidade, conta Maria Lúcia.
Mas o efeito foi oposto. Castelo Branco rebateu as críticas, mas foi gentil, e Omar Mazzei ganhou o respeito e admiração dos outros produtores. Este espírito de independência em relação a política partidária sempre caracterizou a entidade, que aplaude os governantes quando estão certos, mas também critica os erros, de acordo com o interesse da classe, comenta a socióloga.
Outra característica marcante foi a herança do pensamento do cafeicultor. Maria Lúcia comenta que diferente dos barões do açúcar, os cafeicultor sempre teve uma visão com completa do processo produtivo, e esta maneira de pensar influenciou a atividade pecuária.
Símbolo de riquezaMuitos presidentes da Sociedade Rural do Paraná ocuparam cargos políticas. Alguns foram prefeitos, vereadores, secretarios da agricultura, e neste cargos sempre defenderam sua classe.
A pecuária, o boi, passou a ser um símbolo da pujança e da riqueza de Londrina, materializada hoje na realização da exposição, considerada a mais diversificada do Brasil.
Finalmente, na última parte a socióloga fala da fase atual, destacando que a diretoria em exercício foi a primeira eleita com disputa de chapas. Até então a formação das outras diretorias havia sido em forma de consenso. A chapa de oposição venceu em 98 e um cafeicultor assumiu a presidência. A eleição de um agricultor abriu a Sociedade Rural a participação de produtores com atividades diferentes, promovendo a democratização e equilíbrio nas novas relações, que começam a ser estabelecidas no novo milênio, conclui Maria Lúcia.





