Livre do vírus do mosaico dourado
PUBLICAÇÃO
sábado, 03 de fevereiro de 2001
Cristina Côrtes De Londrina 
Pesquisadores da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia desenvolveram duas linhagens de feijão carioca completamente imunes ao vírus do mosaico dourado, considerada a pior doença da cultura do feijão. Resultado de um trabalho de pesquisa iniciado há dez anos, a linhagem resistente deve ainda passar por testes de campo e de segurança ambiental e alimentar, por se tratar de planta transgênica.
Segundo o pesquisador Francisco Aragão, a cultivar pronta estará disponível para os produtores daqui a 4 ou 5 anos. Se não fossem necessários os testes de segurança ambiental e alimentar, poderíamos antecipar a liberação destas plantas para dois ou três anos, comenta Aragão. O pesquisador diz que está tranquilo com relação a segurança desta nova cultivar, porque o trabalho é desenvolvido com a proteína do vírus que já está presente na planta e não causa nenhum mal à saúde humana e nem ao meio ambiente.
Problema sérioO vírus do mosaico dourado causa uma das piores doenças da cultura do feijão, porque ocorre em quase todas as regiões brasileiras e pode causar perdas que variam de 40% até 100% na produção. No Planeta, apenas as áreas de clima temperado é que estão livres deste vírus, porque não possuem as condições climáticas favoráveis à proliferação da mosca-branca, inseto-praga que é o seu principal vetor.
O trabalho da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia está sendo realizado em parceria com a Embrapa Arroz e Feijão, que no momento está fazendo o melhoramento da linhagem realizando o cruzamento sexual entre outras variedades como o preto e o jalo.
As viroses são mais difíceis de serem controladas que os fungos. Em geral não há uma forma de controle eficiente. Só existem dois caminhos para o combate: eliminar a inoculação matando a mosca-branca ou desenvolver plantas imunes, que é o nosso objetivo, explica Aragão. Diferente de outras pragas, a mosca-branca teria que ser combatida preventivamente, e os custos para isso são muito altos além de contaminação do meio ambiente, o que torna esta prática inviável. Mesmo populações baixas de mosca-branca podem fazer estragos consideráveis nas lavouras de feijão, principalmente na safra da seca, completa.
Tecnologia Numa etapa anterior, os pequisadores empregaram a metodologia de sequência anti-sense, que consiste na introdução de um fragmento do vírus do mosaico dourado para bloquear o RNA do próprio vírus, o que funciona como uma espécie de vacina.
Segundo o pesquisador Francisco Aragão, da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, esta metodologia possibilitou a obtenção de plantas de feijão tolerantes ao vírus do mosaico dourado, o que significa dizer que elas possuem os sintomas, mas de forma fraca. O vírus conseguiu se reproduzir dentro da planta de forma ineficiente, tardiamente e com baixo índice de infecção, explica Francisco.
Mas esta condição não é a ideal porque a planta apenas tolerante quando atacada pelo vírus demora para morrer e acaba transmintindo a doença para o restante da lavoura. Por isso, resolveram empregar a metodologia de transdominância letal, que consiste na introdução da replicase (proteína que replica o DNA viral) do vírus na planta.
Os testes desta metodologia em protoplastos (células isoladas sem parede) de feijão foram bastante satisfatórios, já que comprovaram a inibição da replicação do vírus dentro das células.
As primeiras plantas transgênicas já começaram a ser desafiadas, ou seja, expostas a moscas-brancas que possuem o vírus do mosaico dourado.


