Curitiba - Produtores do litoral do Paraná estão se organizando em torno de um Pólo de Agroecologia para produção de alimentos orgânicos.
A iniciativa começou com pequenos produtores de banana orgânica em Guaraqueçaba e agora se estende para Morretes e Antonina. Atualmente 320 produtores do litoral paranaense cultivam alimentos orgânicos numa área aproximada de 600 hectares.
Banana, maracujá, gengibre, mandioca, arroz, milho e taía (espécie de inhame), estão sendo cultivados no sistema orgânico.
Os produtos certificados por entidades de reconhecimento internacional são exportados. Mas, a maioria da produção esbarra na falta de certificação, que é muito cara. Os produtores que não têm a certificação vende no mercado interno.
A expansão da produção agrícola no litoral do Paraná é impedida pela limitação de três Áreas de Preservação Ambiental (APAs), que abrangem 95% da região, onde as práticas agrícolas têm que ser as menos agressivas.
Além disso, só 10% da Mata Atlântica estão abertos para a prática da agricultura.
''Num cenário de tantas dificuldades, era necessário encontrar um sistema de produção alternativo, mas que tivesse a aceitação dos produtores'', conta João Batista Zanini, gerente regional da Emater no Litoral e coordenador do Pólo de Agroecologia.
''Mas era impossível impor uma política de cima para baixo'', lembra. A primeira dificuldade enfrentada foi a falta de certificação da produção orgânica.
Parte dos produtores adotou o selo Ecovida, da Rede Ecovida, uma entidade certificadora presente nos três estados do Sul, que prioriza o sistema da boa vizinhança. Ou seja, o produtor é o fiscal do seu vizinho. ''Assim, eles se organizam em grupos, reúnem-se mensalmente e cada grupo certifica o outro'', explica Zanini.
Toda essa organização está sendo estimulada por um conjunto de entidades públicas e privadas, que decidiram unir esforços para incentivar o pólo de orgânicos no Litoral.
A produção de banana em Morretes estava condenada à extinção em função da falta de estímulo do produtor, que não conseguia competir com a produção de São Paulo e Santa Catarina.
Quem não conseguia produzir a fruta no padrão comercial dos estados vizinhos via os preços do produto despencar no mercado. O reflexo foi a falta de tratos culturais necessários para boa produtividade e, em muitos locais, o cultivo convivia com o mato tomando conta de tudo.
Os produtores vinculados à Associação Pró-Horta, de Morretes, desistiram da produção de banana. Na cooperativa ficaram apenas os pequenos produtores, sem condição de sobrevivência no mercado, conta o presidente Juarez Santos da Costa.
Organizados pela Emater e demais entidades, os produtores decidiram repetir a experiência com a banana passa orgânica, iniciada pelos colegas de Guaraqueçaba, que já estão exportando a produção para a Suíça.
Os produtores de Morretes passaram a produzir banana orgânica e estão transformando parte da produção em banana passa, balas de banana e doce de banana em pasta.
Cerca de 70% da produçãoa é colocada in natura no mercado, onde é vendida em lojas e feiras especializadas em produtos orgânicos. Os 30% restantes, compostos por frutas que não atingem o tamanho adequado para o mercado, são transformados.
Apesar das dificuldades, os 120 produtores de banana da cooperativa Pró-Horta já recebem uma remuneração igual ou acima do mercado. Atualmente, a cooperativa paga R$ 3,00 pela caixa de 20 quilos para o produtor, cerca de R$ 1,00 acima dos preço pago pelos atravessadores.
No verão, quando a produção aumenta, o preço pago pela fruta se iguala ao dos atravessadores, mas o associado do Pró-Horta tem a comercialização garantida, salienta Costa.
Segundo ele, muitos produtores querem se filiar à cooperativa porque a entidade garante a compra da produção o ano inteiro, estabilidade que não é a mesma para os demais produtores.
No verão, o excesso de produção prejudica tanto a colocação da fruta in natura no mercado como a dos produtos transformados. Costa acredita que quando a Pró-Horta conseguir o selo que permite a exportação de banana-passa orgânica ou a venda em supermercados haverá condições de filiar mais produtores daquela região.

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