Embora ainda pequeno, o aumento previsto de 2,28% da área indica a recuperação da triticultura do Paraná, graças à melhora na comercialização do grão, segundo o secretário da Agricultura e do Abastecimento do Estado, Antônio Leonel Poloni. ‘‘É só a cultura apresentar liquidez, como ocorreu na safra passada e tudo indica que acontecerá novamente este ano, os produtores respondem positivamente’’, afirma o Secretário.
A área plantada este ano deve atingir 730.000 hectares. No ano passado foram semeados 713.00 hectares. O aumento da área foi motivado pelo desempenho da comercialização da safra passada. Segundo o engenheiro-agrônomo Otmar Hubner, do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura, pela primeira vez após a privatização da comercialização do trigo, todo o produto ofertado foi vendido e até disputado pelos moinhos. A safra passada foi comercializada sem a necessidade de leilões do PEP (Prêmio de Escoamento do Produto), graças à desvalorização cambial da moeda frente ao dólar, justifica o técnico.
Agora também o mercado está favorável aos triticultores. Os baixos estoques nacionais de milho têm causado maior procura de trigo. Além disso, os moinhos estão antecipando as compras do trigo paranaense, para não ficar dependentes de futuras importações.
No Paraná, o plantio ainda está em andamento e as chuvas registradas na semana passada, nas regiões Oeste e Centro-Oeste, beneficiaram a cultura de trigo, que está com bom desempenho durante o desenvolvimento vegetativo. Naquelas regiões o trigo ocupa 308.000 hectares, ou 42% da área total plantada no Estado. Na região Norte, que representa 38% da área, com 280.000 hectares, o plantio está atrasado devido à falta de chuva. O prazo de plantio vai até o final deste mês.
LiderançaO Paraná contribui com 63% da produção nacional de trigo, e neste ano deverá colher 1,6 milhão de toneladas, segundo as perspectivas atuais. A liderança na produção é atribuída a fatores climáticos favoráveis à cultura e também à tecnologia utilizada pelos produtores. Essa tecnologia tem contribuído para os sucessivos aumentos de produtividade. A média histórica dos últimos anos revela que o rendimento é de 1.800 quilos por hectare. Na safra passada a produtividade registrada pelos técnicos do Deral chegou a 2.030 quilos por hectare e, na safra em andamento, a perspectiva é de colher 2.130 quilos por hectare.
Hubner explica que o produtor paranaense vem se aperfeiçoando na tecnologia utilizada e cada vez mais vem recorrendo ao plantio direto, conservação de solos e rotação de culturas, técnicas que elevam a eficiência na produção. Na safra colhida no ano passado, 68% da área plantada eram de plantio direto. Na atual safra (99/2000) esse percentual deve evoluir, afirmou.
O aumento da produtividade do trigo e o controle biológico utilizado na cultura tem contribuído para a redução nos custos de produção. O produtor paranaense tem recorrido em grande escala à disseminação da ‘‘vespinha’’, nas lavouras, para controle do pulgão. A vespinha é reproduzida em laboratório pela Embrapa e distribuída aos produtores. Como ela suga os ovos dos pulgões, age no controle da população da praga nas plantas. ‘‘Com isso, hoje não se faz mais aplicação de inseticidas para controlar o pulgão das folhas’’, destaca Otmar.

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