Língua eletrônica avalia sabores
A língua eletrônica, invenção da Embrapa Instrumentação Agropecuária, segundo o pesquisador Luiz Mattoso, é formada por um conjunto específico de plásticos, que conduzem eletricidade e que são sensíveis às substâncias responsáveis pelos diferentes tipos de paladar.
As unidades sensoriais são fabricadas pela deposição cuidadosa de molécula por molécula, de polímeros condutores (plásticos que conduzem eletricidade) em diferentes combinações e arquiteturas formando filmes ultrafinos sobrepostos, sobre uma configuração pré-determinada de eletrodos interdigitados.
Depois de depositados os materiais - que têm propriedades elétricas específicas - cada eletrodo compõe uma unidade sensorial da ''língua''. ''Quando mergulhados na solução que queremos analisar, cada um interage diferentemente com as moléculas do líquido fornecendo um sinal elétrico característico de sua interação com a bebida analisada'', explica. É graças a essa diferença de respostas elétricas entre uma unidade sensorial e outra que a impressão digital que identifica cada substância é montada.
A língua eletrônica utiliza o mesmo conceito da língua humana, conhecido como seletividade global. O sistema biológico, contudo, não faz a identificação de uma substância específica, mas agrupa toda a informação recebida em padrões que o cérebro identifica. Por exemplo: o ser humano reconhece o paladar de café, mas poucas pessoas sabem que ele é composto por mais de mil moléculas distintas.
No café, por exemplo, o sensor gustativo é capaz de avaliar e classificar, segundo o seu paladar, qualidade, regiões e possivelmente produtores, detectar adulterações nos produtos comercializados e monitorar a consistência de paladar e qualidade dos produtos produzidos no país.
O sensor gustativo da língua eletrônica vai servir às pesquisas sobre a utilização da soja na alimentação humana da Embrapa, em Londrina. Segundo Mercedes Panizzi, que coordena o trabalho, a língua vai enriquecer os meios para a descoberta de opções de soja mais agradáveis ao paladar humano. As variedades de soja destinadas à alimentação passam por análises sensoriais (com degustadores) e químicas.
''A língua eletrônica vai mostrar quais dos componentes conferem determinada característica ao sabor da soja, o que é impossível à língua humana'', explica a pesquisadora. A utilização da tecnologia é tema do trabalho de doutorado de Josemeyre Bonifácio da Silva, da Universidade Estadual de Londrina (UEL). (R.C.)





