''É frustrante você saber que tudo o que você construiu com carinho não terá continuidade''. O desabafo é da agricultora Walkíria Belintani Blum, 57 anos, de Congonhinhas (55 km ao sul de Cornélio Procópio). Há uma ano ela vendeu a propriedade de 155 alqueires. O dinheiro da venda ela investiu em imóveis e em um sítio de 9,8 alqueires. ''Quando eu morrer o sítio vai ser vendido no dia seguinte'', brinca.
Mãe de três filhas, Walkíria, faz questão de frisar que sempre as educou com liberdade para escolherem suas profissões: uma é médica, outra é fonoaudióloga e a terceira graduada em informática. A propriedade foi herança dos pais e para tocá-la, a pecuarista promoveu uma mudança radical em sua vida: deixou a capital palista onde tinha uma agência de turismo.
Walkíria é diretora do sindicato rural patronal da cidade diz que, na atualidade, a sucessão da propriedade está entre as principais preocupações dos produtores que buscam alternativas, como a contratação de administradores.
Mesmo admitindo a frustração, Walkíria não culpa as filhas pela venda da propriedade. ''A fazenda ficava a 17 quilômetros da cidade, a estrada era ruim e quando chovia não tinha como sair de lá'', conta. Quando herdou a fazenda a pecuarista, que é viúva, privilegiou a educação da filhas que eram adolescentes. ''Se tivesse interferido tenho certeza que alguma delas estaria aqui, mas não seria feliz. Gosto pela terra tem que estar no sangue'', conforma-se.

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