A liberação de uma determinada tecnologia sempre é alvo de protestos por causa do impacto que possa causar em relação à segurança alimentar. Ivo Carraro, presidente executivo da Cooperativa Central de Pesquisa Agrícola (Coodetec), afirma que a relação entre pesquisas científicas da área e setores que vão contra devem ser equilibradas. ''Tanto a liberdade em excesso quanto a pressão em demasia são ruins''.
Segundo Carraro, os materiais geneticamente modificados foram uma ferramenta de suma importância para o avanço da produção de alimentos. ''Quando a biotecnologia iniciou no Brasil, o processo de regulamentação era muito burocrático'', salienta o presidente executivo da Coodetec. Ele completa que no Paraná, por exemplo, a restrição da implantação dos trangênicos no Estado, barrada pelo ex-governador Roberto Requião, foi motivada por pensamentos ideológicos, mas que logo foi desmistificada.
''Não conseguiríamos ter a quantidade e a qualidade de produção que temos hoje se não fossem os transgênicos'', afirma Carraro. O presidente destaca que mesmo com o atraso na implantação da tecnologia no Paraná em relação aos outros Estados, principalmente ao Rio Grande do Sul, a agricultura paranaense já se recuperou. Segundo o produtor Wilson Wentz, de Cambé, sem os organismos geneticamente modificados seria quase impossível produzir. O agricultor frisa que a maior dificuldade para quem planta uma cultura convencional é o controle de pragas, principalmente a cultura do milho que sofre com a lagarta do cartucho.
Segundo ele, aqueles que criticam o avanço da ciência é porque não a conhecem de forma concreta. ''Para um novo material chegar até a lavoura passa por diversos testes e pesquisas'', destaca Wentz. (R.M.)

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