A técnica usada para fazer o levantamento é a do copinho, a mesma usada para verificar o índice de perda de soja na colheita. O método foi adaptado pela Embrapa, para a colheita de milho, e já está sendo considerado muito fácil pelos agricultores. De acordo com o técnico agrícola da Emater em Paiçandu, Egon Arns, o levantamento é importante para que o produtor conheça o índice de perda do produto e identifique as causas, que na maioria das vezes estão relacionadas a problemas de regulagem e manutenção das colheitadeiras.
É preciso medir a largura da plataforma da máquina, para colocar a armaçãoNo município de Paiçandu existem mais de 300 produtores de milho. A área plantada é de 4,5 mil hectares. Para fazer o levantamento da perda, a técnica do copinho deve ser aplicada em duas etapas: primeiro com os grãos de milho encontrados no solo e depois com as espigas. Assim como no levantamento de perda da soja, a técnica consiste na colocação de uma armação feita com duas ripas de madeira e corda, em locais onde a colheitadeira já passou. A armação é feita sob medida. Na primeira etapa do levantamento, a armação é feita de acordo com a medida da largura da plataforma da colheitadeira dividida por 2 metros quadrados.
Grãos e espigasA maioria das colheitadeiras utilizadas nas lavouras de Paiçandu tem plataforma com 3,60 metros de largura. Nestes casos, a armação será colocada no solo, em uma área de 56 centímetros. Os grãos de milho encontrados dentro dos 56 centímetros da armação são colocados em um copinho que permite a leitura direta da perda.
Marcos NegriniO copo medidor é o mesmo utilizado no controle de perdas da sojaNa segunda etapa, o agricultor deve colocar a armação em uma área de 8,3 metros, que corresponde a divisão de 30 metros quadrados pela medida da plataforma da colheitadeira. Depois de colocada a armação, o agricultor deve recolher as espigas que contém grãos de milho que foram deixadas pela colheitadeira. As espigas devem ser debulhadas e os grãos colocados no copinho, que também permite uma leitura direta da perda. Somando o índice de perda da primeira etapa (dos grãos) e da segunda etapa (espigas) o agricultor tem o levantamento total da perda de milho durante a colheita.
De acordo com Arns, este tipo de levantamento deve ser feito em pelo menos três locais diferentes na lavoura de milho. Ele afirma que, em Paiçandu, o levantamento já foi realizado em 50% das lavouras de milho e o índice de perda tem ficado na média aceitável, correspondente a dois sacos por hectare. ‘‘O levantamento é bom, porque conscientiza os produtores da necessidade de manutenção das máquinas, para a redução do índice de perda durante a colheita’’, diz Arns. Segundo ele, a perda em Paiçandu é mínima, porque a maioria dos produtores já faz este tipo de levantamento na colheita da soja há vários anos e, por isso, a manutenção das máquinas está em dia.
CausasAlém da má-manutenção da máquina e da regulagem errada da colheitadeira, outros fatores podem interferir na perda de milho durante a colheita. Arns cita como exemplo as lavouras acamadas em decorrência de chuva ou vento forte, onde a perda será maior. O levantamento também deve levar em consideração as condições do terreno da lavoura e se a colheita foi feita no tempo certo.
‘‘Em uma lavoura normal, onde não há muita erva daninha, onde o terreno não tem muita elevação e a colheita foi feita com colheitadeira bem regulada, a perda deve ficar no máximo em dois sacos por hectare’’, explica Arns. Ele afirma também, que é importante os cuidados durante a colheita. ‘‘Se o produtor não tiver paciência e fizer a colheita com velocidade inadequada, ou expor a máquina em uma situação anormal, a colheita também será prejudicada, influindo na perda da safra’’, diz Arns.
Para o produtor Santo Gardinal Neto, 40 anos, o levantamento é eficiente e dá mais segurança aos agricultores. Ele está colhendo milho em cinco alqueires plantados, mas teve que alugar a colheitadeira. ‘‘Como estou pagando aluguel da máquina, tive a certeza de que ela está bem regulada, porque no levantamento feito na minha lavoura a perda foi mínima, não chegando a dois sacos por hectare’’, disse. Segundo Gardinal Neto, a nova técnica é fácil de ser aplicada.
Os produtores interessados na aplicação da técnica para levantamento de perda na colheita de milho, podem solicitar informações dos técnicos da Emater, que tem os copinhos necessários para a identificação do índice de perda. Em Paiçandu os copinhos são escassos, mas os técnicos estão acompanhando o levantamento, usando todo material para aplicação da técnica.

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