Rebanho estagnado, falta de bezerros, produtividade insuficiente e sistemas de produção obsoletos. O sinal de alerta está ligado e muito deve ser feito para que a pecuária de corte paranaense saia da letargia e atinja patamares diferenciados. É claro que há exceções – com pecuaristas e cooperativas produzindo carne de boa qualidade – mas, no geral, a mudança precisa ser intensiva.
A Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) conhece esse cenário e encomendou, no ano passado, junto às áreas de economia rural e zootecnia da Universidade Federal do Paraná (UFPR) - em parceria com diversas outras entidades do setor - um raio-X da pecuária de corte paranaense. Na elaboração do diagnóstico, os pesquisadores da UFPR José Roberto Canziani, Vania Di Addario Guimarães, Paulo Rossi Junior e Fernando Peres descreveram de forma detalhada a estrutura de funcionamento de todos os elos que compõem a cadeia produtiva da carne bovina do Estado.
Um dos primeiros pontos que chamam a atenção no estudo é que entre 1999 e 2012, a variação absoluta do rebanho bovino paranaense retraiu em torno de 600 mil cabeças, atingindo a marca de 6,1 milhões de cabeças atualmente.
Pesquisadora que participou do trabalho da UFPR, a economista Vania Di Addario Guimarães salienta que um dos pontos mais nítidos do levantamento é que a pecuária de corte está perdendo espaço para a agricultura, sendo "empurrada para os morros". "Essa pecuária tradicional do Estado não tem competitividade frente à agricultura", decreta a ela.
Combinado a esse cenário, a pesquisadora explica que não há tecnologia disponível que chegue ao produtor de forma eficiente para viabilizar a pecuária nos morros. "É preciso ações para incentivar pesquisas e viabilizar tal pecuária, que está alocada em todo o Estado, mas principalmente no Norte Pioneiro e Região Central. Há também falhas na extensão rural. Boa parte dos agricultores paranaenses são cooperados e tem uma assistência técnica mais próxima, ou até vendedores que buscam a comercialização de insumos. Mas a pecuária de corte gera poucos desembolsos, o que afasta os técnicos vendedores", explica ela.

Leia mais sobre o tema na reportagem de Victor Lopes na edição deste sábado da Folha Rural.

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