A partir de janeiro a cadeia produtiva do leite do Estado do Paraná terá um preço de referência, instrumento que pretende tornar justa a distribuição dos lucros dentro do sistema.
O preço de referência é resultado de estudos sobre os custos de produção, industrialização e comercialização. A metodologia para definir esses valores está sendo aplicada pela Fundação Universidade Federal do Paraná, conforme acordo entre Faep, a Fundação e o Sindicato da Indústria de Derivados de Leite, Sindileite.
O preço de referência vai beneficiar os produtores e melhorar a qualidade das relações entre os setores da produção e industrialização. A opinião é do superintendente do SENAR-PR e produtor de leite, Ronei Volpi, que tomou posse esta semana na presidência do Conselho Paritário dos Produtores e Industriais do Leite (Conseleite).
''A grande quebra de paradigma é que antes o produtor só participava do onus da cadeia produtiva do leite; agora ele vai participar do onus e do bonus'', disse Volpi. Ou seja, não vai ficar só no prejuízo.
Para pôr em prática os preços referenciais serão feitos testes ainda este ano e a partir de janeiro os preços serão definidos e anunciados até o dia 15 de cada mês.
Ao ser entrevistado por este jornal, após assumir a presidência do Conselho, Ronei Volpi disse que os critérios para a definição de preços vêm sendo estudados desde junho. Após explicar a metodologia de custo de cada setor e fixação das margens de lucro de cada um, Volpi destacou a importância social e econômica do setor leiteiro Paraná.
São 40 mil propriedades, a maioria de pequenos e médios produtores. Há cerca de 300 indústrias entre pequenas e médias unidades, localizadas em diferentes regiões. Grandes indústrias como Sudcoop, Frimesa e Batávia, entree outras estão localizadas no interior, abastecem grandes centros e exercem papel importante nas suas regiões.
Experiência da cana - O Conselho Paritário do leite se inspirou no Conselho Paritário da Cana-de-açúcar montado a partir de estudos entre Faep e Alcopar. O resultado tem sido muito bom, segundo Volpi.
Além de representar os interesses dos produtores, representados pela Faep, o Conselho Paritário do Leite também representa os interesses das indústrias privadas e indústrias cooperativas. O objetivo é buscar a transparência no mercado. Entre as grandes empresas estão: Batavia, de Carambeí; Cooperativa Central Confepar, de Londrina; Latco, de Cruzeiro do Oeste; Laticínios Líder, de Lobato; Laticínios Ubá, de Ivaiporã; Leite Pic-nic, de Tapejara; Cooperativa Central Sudcoop (Frimesa), de Medianeira; e Leco/Vigor, de Santo Inácio. As empresas que integram o conselho representam mais de 70% do leite produzido no Paraná, segundo o presidente do Sindileite, Wilson Thiesen.

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