Leite pode dar alta rentabilidade
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sábado, 23 de novembro de 1996
Cláudia Barberato 
A pecuária de leite entraria como opção não só de diversificação mas, para aqueles que já a desenvolvem, como alternativa de maior rentabilidade. Naquela região são mais de seis mil famílias já envolvidas na atividade, a maioria delas longe de um faturamento ou receita que permita viabilizar a sobrevivência no campo. Falta basicamente especialização do produtor e do rebanho. Em pouco tempo a tendência é que dois terços destas famílias ligadas à pecuária de leite abandonem a atividade.
Este foi um dos motivos que levaram a Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (Seab), a promover o Encontro Estadual de Pecuária de Leite, programado para o período de 27 a 29, no Centro Regional de Eventos de Pato Branco.
Vocação agrícola Espera-se que comece no encontro um movimento capaz de resultar na Câmara Técnica do Leite, a exemplo do que já aconteceu a outros produtos agrícolas do Estado, como o feijão, a sericicultura e outras. O encontro reunirá técnicos, produtores e lideranças do setor. O objetivo é esclarecer vários pontos da atividade, desde o manejo diário do rebanho até noções de mercado, qualidade do leite e profissionalização do produtor.
A procura pela vocação agrícola daquela região, segundo o agrônomo Luiz Fernando Schuchovski, faz parte de um projeto que a Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (Seab) está desenvolvendo em todo o Estado.
Schuchovski, que é chefe do escritório regional da Seab em Pato Branco, afirma que a região engloba todo tipo de produção, com 25 a 27 litros de leite por produtor/dia, em média, o que é muito baixo. A produtividade média nas propriedades de Pato Branco é inferior a sete litros/vaca/dia. Só para se ter uma idéia do potencial do Estado, na região do ABC, em Ponta Grossa, a produtividade média é de 18 litros/vaca/dia.
Rentabilidade É preciso esclarecer a muitos produtores, afirma o agrônomo, que o leite não implica em abandono de outras atividades dentro da propriedade rural. Além disso, o produtor pode ter alta rentabilidade. Um hectare de pecuária de corte dá de R$ 50 a R$ 100 por ano. Já a pecuária de leite, quando bem feita, proporciona de R$ 500 a R$ 1.000 por hectare/ano, porque se colhe todo o mês.
A região de Pato Branco tem hoje plantel de 40 mil vacas leiteiras e mistas. Os níveis de produção variam de 2 litros/dia até 40 litros/dia. O rebanho vem sofrendo melhoria genética desde 1988, a partir da implantação do PIA (Programa de Inseminação Artificial), do Governo do Estado.
Até hoje pouco desta genética conseguiu ser exteriorizado nos animais, ou seja, faltou comida de qualidade para que a genética consiguisse ser sustentada nos animais e aumentasse a produção média de leite do rebanho. Além disso, falta manejo adequado dos animais em todos os níveis, desde a escolha da raça até o trato diário antes da ordenha, por exemplo.
A pecuária leiteira é uma atividade relativamente nova na região, com pouco mais de 10 anos. Está ainda em fase inicial de formação de plantel na área de genética dos animais e detalhes que o criador precisa aprender sobre o trato com o gado especializado.
Segundo o agrônomo da Seab, existem cinco pontos a serem trabalhados com os produtores daquela região. O primeiro é o manejo alimentar dos animais; o gado bem tratado tem maior resistência a doenças e, portanto, melhor produção. A seguir viria o manejo genético, orientando a criação de animais com potencial de produção.
O terceiro ponto seria o manejo sanitário, com controle básico de doenças, especialmente a mastite que tem causado grandes danos de produção às fêmeas dos rebanhos. O ciclo se completa, lembra o agrônomo, com o manejo geral dos animais, as instalações e equipamentos e a qualidade do leite produzido.


