Os preços médios do leite no Brasil, este ano, estão 27% acima da média dos preços de 2002. Não que eles deixem tanta margem de lucro, mas porque a comparação é feita em cima de um ano de preços muito baixos. As correções do preço do leite em 2003 superam os índices aferidores de inflação.
Mas este fato não significa que as condições estejam favoráveis aos produtores, avisa o engenheiro agrônomo Maurício Palma Nogueira, da Scot Consultoria, esta semana. Ele cita outro entendido no assunto, o presidente da Leite Brasil, Jorge Rubez, para quem, nos últimos 12 meses, os principais índices de iflação indicaram uma evolução na faixa de 27 a 33,5%. Tivemos índices menores, com resultados de 14% a 26%, conforme a metodologia. Mas vaca não come índices que são médias de preços; vaca come ração cujos preços, esses sim, explodiram, afirma Rubez.
Não é novidade mas os insumos - e, consequentemente, os custos de produção, estão subindo de maneira mais acentuada que os preços do leite. ôÉ difícil encontrar empresas com custos de produção abaixo dos 50 centavos
por litro de leite.
Arrendar a terra - O produtor de leite, matando um leão por dia para ficar na atividade, vê a agricultura batendo à sua porta demandando terra para arrendar e oferecendo entre R$ 200,00 e R$ 600,00;há, livre de todos os riscos.
Segundo Maurício Palma Nogueira, o desaquecimento da atividade leiteira não é só causando pela crise, mas também pela oportunidde de fazer o patrimônio render mais do que com a produção de leite.
Em termos de desvalorização do leite, Maurício cita a perda do poder de barganha. Ou seja, cada vez é necessário maior número de litros de leite para adquirir fatores de produção. Cita ainda que os preços dos concentrados são FOB (sem frete) enquanto os do leite são brutos, ou seja, precisa descontar o frete no preço do leite e adicionar o frete nos concentrados. Sendo assim, o técnico da Scot acha pertinente comparar a evolução dos preços do leite com os preços do óleo diesel.
Eliminando inflação e preços nominais, considerando apenas na relação de troca nos últimos anos, o leite tem perdido seu poder de compra em relação a todos os insumos inclusive em relação ao diesel, que representa 25% a 35% do custo da hora máquina e está liado a todas as operações mecanizadas e de transporte da agropecuária.
Em junho de 1998 um litro de diesel custava 1,60 litros de leite. Em junho de 2003 foram necessários 3,40 litros de leite para comprar o mesmo litro de diesel.
Segundo cálculos do engenheiro agrônomo da Scot Consultoria, o produtor de leite precisa hoje de 35% a mais de leite para comprar um litro de diesel do que precisou cinco anos atrás.
Com relação aos componentes da ração, a perda de poder de barganha do leite só parou de cair quando os preços do milho começaram a desabar este ano.

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