Leite é garantia de renda para a maioria das propriedades que compõem as Redes. O desafio constante das famílias que vivem da pecuária leiteira é extrair o máximo de produtividade, com o menor custo possível e em áreas restritas. Um contexto em que a pesquisa e o aprimoramento dos próprios produtores tornam-se determinantes para a sobrevivência da atividade.
Com oito dos 20 hectares da propriedade ocupados por pastagens, a família Lipreri, de Ampére (57 km a oeste de Francisco Beltrão), obteve um aumento de 350% na produção de leite desde a safra de 99/2000 até a última. O segredo foi um aproveitamento mais racional dos recursos, com implantação de piquetes e bebedouros para as vacas, e a adoção de novas técnicas como a homeopatia no tratamento do gado - idéia introduzida por Nelci, 46, que aprendeu com as Redes a sempre buscar aperfeiçoamento. ''Começamos errado, sem formação nenhuma, mas a rede trouxe muito conhecimento. Melhorou 100%'', comemora.
Persistente na cultura de café arenito numa região onde a atividade foi praticamente abandonada, Auto Alves Rodrigues, 72, de Moreira Sales (70 km a oeste de Campo Mourão), decidiu investir em leite para diversificar. O extensionista Claudinei Antônio Minchio, responsável da Rede no sítio de seo Auto, lembra que a família ficou desanimada frente a várias dificuldades no manejo das pastagens, mas persistiu e está conseguindo superá-las.
''O pessoal das Redes foi dando dicas, a gente foi se animando de ver as pastagens ficando mais bonitas e continuamos caminhando'', diz o pequeno produtor que, junto com os filhos, implantou um sistema de piquetes e ampliou a área de cana-de-açúcar para alimentação animal. Até a neta adolescente está envolvida no trabalho. Com apenas 17 anos, Edinéia fala da propriedade com ares de produtora: ''No começo a gente ficou meio descrente, mas os piquetes foram a melhor coisa que nós fizemos''.
Apesar das vantagens da atividade leiteira, produtores como Zeferino Santin, de Vitorino (16 km a oeste de Pato Branco) ainda resistem à idéia de ceder áreas para pastagens. O gaúcho que entrou na propriedade paranaense ''com duas vaquinhas'' conseguiu chegar a 33 cabeças. Mas no sítio de 29 hectares, as lavouras de soja ocupam a maior e melhor fatia, enquanto as vacas holandesas disputam oito hectares de relevo montanhoso. ''No começo eu tinha o azar de minhas vacas só darem machinhos. Depois a sorte virou e hoje estou até vendendo animais porque falta alimentação''.

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