Uma ração especial, produzida em laboratório pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), está permitindo que as vacas produzam leite com a redução de gordura em até 35% e o aumento de proteínas em até 10% que o normal. O processo é permitido por meio da adição do composto CLA (ácido linoléico conjugado) na ração dos animais. O composto é retirado do óleo de soja e manipulado em laboratório.
Segundo o pesquisador do departamento de Zootecnia da Esalq, Dante Pazzanese Lanna, a substância inibe a síntese de gordura no organismo, em especial, nas glândulas mamárias e no tecido adiposo.
''O efeito mais pronunciado nas pesquisas apontou a inibição de síntese de gordura nas glândulas mamárias. Assim, o leite, além de ser mais magro e mais nutritivo, pode ser dotado de propriedades anticancerígenas'', afirma.
O pesquisador garante que como o ácido inibe a síntese de gordura, os benefícios são diretos para o consumidor. ''O composto inibe as gorduras saturadas (de cadeias curta e média), que são aquelas responsáveis pelo aumento do colesterol no homem.''
A ração especial, de acordo com o pesquisador, é também capaz de aumentar em até 10% a produção de leite no animal: uma vaca leiteira pode produzir cerca de 30 litros de leite por dia.
Além disso, ao sintetizar menos gordura no organismo, as exigências dietéticas de energia são reduzidas e o animal passa a comer menos. ''Comendo menos e produzindo menos gordura, o animal produz mais leite, que é mais diluído'', explica Lanna.
O efeito do CLA no organismo da vaca, segundo o pesquisador, é o mesmo adquirido ao se desnatar o leite industrialmente. Lanna acrescenta que, nos últimos 30 anos, o consumo de leite semidesnatado tem aumentado, e, por isso, a tecnologia de manipular a ração resultará na queda direta do custo de produção do leite desnatado. ''A gordura do leite está perdendo seu valor'', disse.
A Basf, empresa detentora da patente do produto CLA, está apresentando o composto a órgãos regulatórios dos EUA e do Canadá. O produto passará por uma série de estudos com o objetivo de comprovar suas propriedades e sua segurança para que depois possa ser produzido e comercializado em escala industrial. O processo levará entre dois e três anos, segundo Lanna, para que o produto possa chegar ao consumidor final.

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