Qualidade afetada por problemas climáticos, quebra na produção e dificuldades de comercialização fizeram parte da rotina dos triticultores em 2009. Apesar da interferência do governo que destinou cerca de R$ 200 milhões para a compra do produto por meio de Prêmio de Escoamento da Produção (PEP), os produtores ainda se queixam quando optam pela venda direta e não encontram comprador.
De acordo com Flávio Turra, gerente técnico da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), a venda direta está completamente paralisada. A indústria, segundo ele, tem preferido comprar trigo pelos leilões do PEP já que o valor de mercado está abaixo do preço mínimo e o produtor quer a garantia desse valor. ''Apesar de ter promovido os leilões, os volumes anunciados não têm sido suficientes para atender a expectativa do setor'', afirma. Segundo ele, nos últimos seis leilões foram compradas pouco mais de 1,2 mil toneladas. ''O Paraná ofertou 810 mil toneladas, mas foram compradas 680 mil'', informa.
A interferência do governo ainda hoje é a alternativa para a movimentação do mercado do trigo. Tanto que neste ano houve intensa mobilização dos produtores, reivindicando a utilização de mecanismos como PEP e Aquisições do Governo Federal (AGFs) para enfrentar as dificuldades de comercialização.
Dentro da programação do PEP, ainda serão realizados mais seis leilões. Como parte do repasse será feito no ano que vem, os recursos virão do novo orçamento, o que, para o técnico, é um ponto positivo. Outro ganho é a mudança na remuneração. ''O governo agora está pagando de acordo com a classificação. O tipo para panificação ou superior tem recebido R$ 137,00 a saca, enquanto o brando vale R$ 94,00 a saca'', diz.
Para Turra, o produtor neste momento não tem alternativa. Em primeiro lugar, orienta, deve reivindicar junto ao governo outras modalidades de comercialização, como as AGFs. Também pode ampliar a participação no mercado, ofercendo a mercadoria nos leilões do PEP. ''Isso vai exigir dele a contratação de um corretor e um lote mínimo de 27 toneladas ou 450 sacas do produto'', afirma.
No Paraná, o Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab) registra que na semana passada o trigo era comercializado por R$ 24,57, média dos 20 núcleos regionais onde são feitos os levantamentos. Na semana anterior, o produto valia R$ 25,13, o que representou queda de 2,24%.

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