Lei representa avanço tecnológico
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sexta-feira, 02 de maio de 1997
Silvana Leão 
Mário CésarDomínioIwao Miyamoto: Já dominamos as técnicas de produção. Daqui para frente precisamos evoluir em qualidadeA aprovação pelo Congresso Nacional, na semana passada, da Lei de Proteção a Cultivares, vai mudar muito a situação do mercado brasileiro de sementes. A opinião é do novo presidente da Associação Brasileira de Produtores de Sementes (Abrasem), Iwao Miyamoto. Ele assumiu o cargo no último dia 25, com a missão de recuperar e consolidar o setor sementeiro.
Com a Lei de Cultivares entrando em vigor, o Brasil entra para o primeiro mundo em termos de produção de sementes. E como tem uma grande extensão, representa um mercado muito importante, diz Miyamoto. Ele lembra que a nova lei demorou para ser aprovada, e que isto gerou algumas perdas para o País, como por exemplo as multinacionais que se instalaram aqui na esperança de poder usufruir dos benefícios da lei e, com a demora, acabaram fechando as portas.
Os órgãos de pesquisa, como por exemplo a Embrapa, estavam à espera da aprovação para lançar no mercado novas cultivares. Por outro lado, porém, Miyamoto acha que hoje a agricultura brasileira está mais preparada para dar um passo tão importante. A diretoria que está assumindo a Abrasem vai ter que se adequar à nova realidade. Nós teremos a responsabilidade de preparar o terreno para os avanços tecnológicos que estão acontecendo, afirmou o novo presidente da Abrasem, referindo-se às plantas transgênicas, obtidas a partir de sementes modificadas geneticamente através da biotecnologia.
Sementes melhoresPara Miyamoto, ainda vai demorar para que as sementes transgênicas cheguem até o produtor, mas é um caminho inevitável. E um dos principais objetivos da Associação de Produtores de Sementes no momento é ampliar o uso de sementes melhoradas.
O Brasil começou a se estruturar para produzir sementes certificadas no início dos anos 70. De lá para cá a situação mudou muito, mas as culturas que não representam muito volume de negócio, como mamona, feijão e amendoim, ainda são plantadas na maioria das vezes com sementes guardadas pelo produtor ou adquiridas junto a vizinhos. As culturas mais avançadas tecnologicamente são milho, soja, sorgo, arroz, algodão, trigo e hortaliças.
O presidente da Abrasem lembra que as sementes tratadas têm sido uma das grandes responsáveis pelos constantes aumentos na produtividade da agricultura brasileira. Segundo ele, em 89 o Brasil produziu 2,3 milhões de toneladas de sementes. Hoje, esta produção está em torno de 1,5 milhão de toneladas. O volume, embora menor, é composto por material tecnologicamente superior.
O setor agrícola nacional também já domina as técnicas de produção. Já avançamos o que podíamos neste campo. Daqui para a frente precisamos evoluir em qualidade. Por exemplo, produzir soja com mais proteína, maior teor de óleo e mais resistente. Para Iwao Miyamoto, agora é hora de trabalhar para ampliar a margem de lucro entre custo e benefício para o agricultor e lutar pela expansão das áreas de plantio. Para isso, a Abrasem terá que enfrentar um desafio antigo: conseguir mudanças nas regras de financiamento da produção de sementes, com recursos e prazos mais adequados para as necessidades do produtor.


