A exigência da adição de fécula de mandioca em pães, biscoitos e massas feitos com farinha de trigo para o consumo de prefeituras e governos - para uso em merenda escolar e creches - anima produtores paranaenses. A determinação aprovada no Congresso Nacional por meio de um acordo entre as indústrias de trigo e mandioca e que deve ser sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pode despertar o interesse da indústria da panificação. Os moinhos que adicionarem a mistura espontaneamente terão isenção do pagamento de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e do Pis-Pasep.
A lei prevê que a farinha de trigo ou seus produtos deverão ter no mínimo 3% de adição de derivados da mandioca no primeiro ano de vigor da nova lei. O percentual será aumentado progressivamente: 6% no segundo ano e 10% em 2010.
Para João Eduardo Pasquini, presidente da Câmara Setorial Nacional da Mandioca e Derivados e vice-presidente da Associação Brasileira de Produtores de Amido de Mandioca (Abam), a nova exigência vai interferir positivamente na cadeia produtiva. ''Estimamos que a determinação vai provocar o aumento da produção entre 150 mil e 200 mil toneladas, que poderá ser maior em função do interesse pela isenção fiscal'', diz.
No mercado, o efeito também será positivo, como acreditam os empresários. Segundo Pasquini, nos últimos dois anos os preços se estabilizaram e hoje o produtor recebe em média R$ 160 pela tonelada do produto in natura. A remuneração do produtor acabava interferindo na produção e consequentemente nos valores pagos no período seguinte. Pela fécula de mandioca paga-se, em média, R$ 950 a tonelada.
Atualmente, de acordo com o dirigente, o mercado permanece estável também porque as indústrias fecharam contratos com os produtores e em alguns casos até investiram no cultivo da mandioca. ''A tendência é que os produtores tradicionais continuem e que a cultura desperte o interesse daqueles que se dedicam a outros produtos'', avalia.
De acordo com Pasquini, a mandioca tem grande potencial no Brasil, que é o segundo produtor mundial, com 27 milhões de toneladas anuais, cultivadas em 1,9 milhão de hectares. O primeiro lugar é ocupado pela Nigéria, mas a mandioca tem outro valor para a economia daquele país, onde é consumida in natura.
Com 180 mil hectares e produção de 3,8 milhões de toneladas, o Paraná é o terceiro maior produtor do Brasil, atrás da Bahia e Pará. Mas o Estado é o maior produtor de fécula e responde por 62% da produção, concentrada nas regiões noroeste e oeste. O País produz anualmente 600 mil toneladas de fécula de mandioca.
Pasquini também destaca o papel social da cultura, que exige um grande número de trabalhadores. ''A mandioca fixa a mão-de-obra no campo. Além disso, é resistente e pode ser cultivada em qualquer região do país'', diz.

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