Paola Moretti Rueda é coordenadora de bem-estar animal da World Animal Protection Brasil e salienta que o País tem avanços importantes em alguns aspectos do BEA, mas está atrasado em outros, dependendo da cadeia e de ponto do processo que está sendo analisado.

Por exemplo, quando se trata do abate, o Mapa atua com capacitação de fiscais e frigoríficos desde 2008. A IN 3 (Instrução Normativa 3) rege o abate humanitário, além da entrada de aspectos do BEA no RIISPOA (Regulamento da Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem Animal). "A IN está defasada, mas estamos relativamente cobertos em termos de abate na legislação. Já quando se trata da produção (criação), a IN 56 é muito genérica, tem apenas duas páginas, tratando desde abelhas até bovinos. Ela diz que os animais precisam ser bem tratados, mas é algo que conceitualmente fica difícil para o produtor (executar)."

Quando o assunto é a vida do animal, cada cadeia tem seus casos de evolução e atraso. Rueda cita, por exemplo, que a atenção da organização está ligada, num primeiro momento, à severidade do sofrimento, ou seja, os animais que estão em gaiola com privação de liberdade, caso das galinhas poedeiras e matrizes suínas. "Hoje discutimos a gestação coletiva de suínos no Brasil, mas já há países asiáticos discutindo a maternidade fora da gaiola, algo que mais cedo ou tarde vai chegar aqui, pois como já há produtores (do exterior) fazendo, isso vai afetar nossa produção."

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Mesmo caso em frangos de corte, com situações positivas e negativas nos aviários brasileiros. Alguns produtores focam por exemplo nas dark houses, em que o animal ganha em conforto térmico, mas perde por exemplo no aumento de densidade por metro quadrado, tirando o comportamento normal das aves. "Falta enriquecimento ambiental, como um poleiro ou fardo de feno para as aves. Outro ponto é que não trabalhamos com linhagens de crescimento intermediário, apenas crescimento rápido, gerando problemas na ossatura e musculatura dos animais, o que pode fazer com que eles sejam eliminados do sistema, gerando desperdício e impactando nos fatores econômicos do produtor."

No caso do gado bovino, a representante da World Animal Protection Brasil salienta que há muitos bois terminados no pasto, mas que ainda não se explora o conceito de "boi verde", como executado no Uruguai. "Já na cadeia do leite, temos casos de ordenha da vaca com o bezerro no pé e, ao mesmo tempo, produtores de alta produtividade com animais pouco adaptados ao bem-estar."

Por fim, Rueda comenta que um ponto importante é que muitas empresas estão trabalhando pelo BEA atingindo objetivos que vão além da legislação. Tudo isso, claro, para atender um mercado consumidor cada vez mais exigente acerca do tema, principalmente os mercados internacionais. (V.L.)

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