Lavouras têm ótimo desenvolvimento
Os produtores paranaenses de feijão da região Centro-Sul que conversaram com a reportagem da FOLHA confirmaram a boa expectativa para a safra da seca. Segundo eles, a chuva ainda continua, mas apenas com pancadas esporádicas que, intercaladas com os dias de sol, têm feito a lavoura se desenvolver. O levantamento do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento (Seab) aponta que 85% da leguminosa plantada até agora está em boas condições.
O momento para alguns produtores é tão positivo que alguns deles têm investido em maquinário para o trato da cultura. Nelson Alves Pires trabalha com os dois filhos numa área de 20 alqueires de feijão na cidade de Fernandes Pinheiro, a 150 quilômetros de Curitiba. Há três anos ele resolveu apostar na cultura de forma mais consistente e tem conseguido bons resultados financeiros. O momento é tão propício, que no ano passado ele comprou uma colheitadeira específica de feijão, no valor de R$ 560 mil. "Foi uma aquisição importante, principalmente nestes tempos de falta de mão de obra. Faço colheita inclusive para os vizinhos, que se animaram em apostar ainda mais na cultura. Hoje, o preço para a colheita é três vezes menor graças ao maquinário", calcula o produtor.
Em relação à safra das águas, Pires comenta que teve duas situações distintas: boa produtividade com o feijão preto e quebra de safra com o carioca. A média para o primeiro caso foi de 98 sacas por alqueire, enquanto que com o produto problemático colheu apenas 30 sacas por alqueire.
"No caso do carioca, apostei numa variedade muito sensível à antracnose. Fiz três aplicações por fungicida, mas ainda não foi o suficiente para vencer a doença." Já no caso do preto, o retorno foi garantido. Isso porque ele comercializou boa parte do que colheu para a produção de sementes. "Eu tenho uma máquina classificadora na propriedade e, com uma variedade da Embrapa que apostei, consegui comercializar a saca de 60 quilos a R$ 210. Foi um ótimo valor, pois com meu produto garanti qualidade e germinação." Para a safra que já está no campo, o produtor apostou 80% no feijão preto e espera "resultados ainda melhores que a anterior".
Já o produtor de Rebouças, a 170 quilômetros da Capital, Olivir Fernando Bassani, trabalha há décadas com feijão. O foco dele é a leguminosa do tipo preto e na safra das águas encarou chuva na colheita. "Uma das minha áreas estava com antracnose enquanto a outra área focada em sementes foi mais tranquila. A média foi de 80 sacas por alqueire, contra 110 sacas do ano passado."
A preocupação de Bassani neste momento é a mancha-angular, mas ele está satisfeito com o desenvolvimento da lavoura. "Acredito que terei que fazer entre três e quatro aplicações de fungicidas na segunda safra. No ano passado, ela fechou em 90 sacas por alqueire", complementa. (V.L.)






