Há mais de 30 anos pesquisando o trigo, Sérgio Dotto, presidente da Associação dos Agrônomos de Londrina e técnico da Embrapa, destacou os avanços obtidos pelos pesquisadores ao longo dos anos, garantindo que o Brasil já possui variedades que superam a qualidade do trigo argentino.
  Segundo ele, hoje, as lavouras rendem, em média, 2,5 toneladas (t) por hectare (ha), enquanto em áreas experimentais, os técnicos já conseguiram resultados muito superiores, beirando os 7 t/ha. ‘‘Em Cascavel, por exemplo, existem produtores colhendo 5 t/ha e a cada safra esses índices de produtividade vêm aumentando’’, registrou.
  Para Dotto, a segregação das variedades é um modo racional de difundir o cultivo do trigo para outras regiões brasileiras, como São Paulo e Mato Grosso do Sul, cujas terras têm potencial para o plantio do trigo de alta força de glúten. ‘‘A regionalização da produção é comum nos Estados Unidos e na Austrália, que também são grandes produtores de trigo’’, lembrou.
  Luiz Alberto Campos, pesquisador do Iapar, também defende o cultivo do trigo no Cerrado. ‘‘O trigo ainda é a melhor alternativa para a cobertura de solo no inverno’’. Segundo ele, o governo estadual tem mostrado interesse em investir na compra de sistemas de irrigação e os resultados apontam que a cultura do trigo irrigado produz 6 t/ha contra apenas 2 t/ha do trigo sequeiro.
  Exemplo disso, é o crescimento do cultivo de trigo em Goiás, onde a produção saltou de 18,7 mil t, em 2001, para 49 mil t, em 2002. Para este ano, a previsão é produzir 97 mil t, graças ao aumento da área cultivada e da produtividade.
  Campos ainda defende a criação de uma política única, sem mudanças ao longo dos anos. ‘‘O produtor precisa saber o que vai plantar e que variedades pode misturar. Só assim os moinhos vão pagar um valor agregado pela qualidade oferecida’’, finalizou.

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